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Zevi Arnovitz, gerente de produto da Meta, afirmou que o uso de ferramentas de codificação por IA, conhecido como "vibe coding", transformou radicalmente sua atuação profissional. Em entrevista ao "Lenny's Podcast", divulgada no domingo (2), ele descreveu a descoberta dessas ferramentas em meados de 2024 como um ponto de virada que lhe concedeu "superpoderes".

Arnovitz, que não tem formação técnica e ainda considera código algo "aterrorizante", disse que reconstruiu seu fluxo de trabalho em torno da inteligência artificial. Ele utiliza ferramentas como o Cursor e modelos da Anthropic e do Google para explorar ideias de produto, gerar planos de construção, executar código, revisá-lo e atualizar documentações.

Mudança no papel do gerente de produto

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A adoção do "vibe coding" redefiniu a função de Arnovitz. Em vez de atuar apenas como um coordenador entre as equipes de engenharia e design, ele agora opera mais como um "dono do produto" com capacidade de execução direta. "Entender como usar a IA intencionalmente é uma das maiores mudanças de jogo que fará de você um PM muito melhor", declarou Arnovitz, referindo-se ao cargo de product manager.

Ele previu uma tendência ampla: "Todo mundo vai se tornar um construtor. Vamos ver muito isso nos próximos anos". No entanto, ele estabeleceu limites, afirmando que gerentes de produto não devem assumir mudanças complexas de infraestrutura ou grandes projetos. A IA permite que eles conduzam projetos menores de interface de usuário, construindo a funcionalidade e depois entregando o código a um desenvolvedor para revisão final.

Linhas tênues entre funções tradicionais

A ascensão das ferramentas de codificação por IA está borrando as fronteiras entre funções tradicionais no desenvolvimento de produtos. Dylan Field, CEO da Figma, comentou em outubro no mesmo podcast que a IA tem levado muitos profissionais a experimentar a construção de produtos. "Tarefas que antes exigiam profunda expertise em engenharia agora podem ser feitas com ferramentas de 'vibe coding'", disse Field.

Field observou um movimento de profissionais de diferentes áreas se aventurando em funções além das suas especialidades. "Somos todos construtores de produtos, e alguns de nós somos especializados em nossa área particular", completou o executivo.

Impacto na formação de novos talentos

Essa nova mentalidade já está refletindo na forma como empresas treinam seus novos funcionários. Um exemplo notável é o LinkedIn, que substituiu seu antigo programa de gerente de produto associado por uma trilha de "construtor de produto associado" em janeiro.

"Vamos ensiná-los a codificar, projetar e gerenciar produtos no LinkedIn", explicou Tomer Cohen, ex-diretor de produto da empresa, em um episódio de dezembro do "Lenny's Podcast". O objetivo, segundo Cohen, que deixou a empresa em janeiro após quase 14 anos, é treinar pessoas "que possam se adaptar em diferentes áreas".

Arnovitz finalizou sua análise prevendo que, à medida que as ferramentas de IA melhoram, títulos e responsabilidades provavelmente vão "colapsar". Ele aconselha que gerentes de produto tratem o "vibe coding" como uma "oportunidade de aprendizado colaborativo" com suas equipes de engenharia.