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O Brasil conta com apenas dois cursos de bacharelado em Gerontologia, oferecidos pela USP e UFSCar, para atender a uma população idosa que supera 32 milhões de pessoas. A formação prepara profissionais para atuar como gestores do cuidado integral da pessoa idosa, em um mercado que cresce mais rápido que a oferta de especialistas.

Dados do Censo 2022 mostram que o país tem mais de 32 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, um aumento de 56% em relação a 2010. O grupo de 65 anos ou mais já representa 10,9% da população, com crescimento de 57,4% em pouco mais de uma década.

O que faz o gerontólogo

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Segundo a gerontóloga Anabel Machado C. A. Pilegis, formada pela UFSCar, o profissional atua como um "gestor da jornada do envelhecer", conectando serviços, equipes, tecnologias e rotinas que garantam segurança, autonomia e qualidade de vida. "A Gerontologia é a ciência que estuda o processo de envelhecimento em todas as suas dimensões... física, cognitiva, emocional, social, cultural e familiar", explica.

Formação nas universidades

Na UFSCar, o curso é diurno e tem 3.270 horas, com 3.000 horas obrigatórias. A formação combina fundamentos biológicos, psicológicos, sociais e culturais, com práticas em serviços como UBS, Centros-Dia e ILPIs a partir do segundo ano. A USP, pioneira no país, trabalha com estrutura semelhante e currículo interdisciplinar.

O último ano é dedicado ao estágio de livre escolha e Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), permitindo que o estudante se aproxime da área de atuação que deseja seguir. A formação prepara para intervir em múltiplos níveis de cuidado, desde prevenção até reabilitação e gestão de serviços.

Mercado em expansão

O profissional encontra espaço em hospitais, ambulatórios, clínicas especializadas, Centros-Dia, Instituições de Longa Permanência (ILPI), equipes de atenção domiciliar e planos de saúde. Há também procura crescente em projetos de estimulação cognitiva, iniciativas comunitárias e programas de inclusão digital para pessoas idosas.

Setores de inovação e tecnologia têm criado oportunidades para desenvolvimento de soluções voltadas à longevidade. "Eu brinco que as empresas 'só' não sabem ainda que precisam da gente", comentou Anabel, destacando que a demanda avança mais rápido que a formação de profissionais.

Remuneração e impacto

O salário do gerontólogo varia entre R$ 3.000 e R$ 8.000 mensais, dependendo da função, carga horária e experiência. Nos concursos públicos municipais, os valores ficam entre R$ 3.000 e R$ 6.000, enquanto na área acadêmica, cargos de pesquisador em universidades públicas podem superar R$ 16.000.

O trabalho transforma o cotidiano da pessoa idosa ao promover autonomia, prevenir riscos como quedas e estimular participação social. Para as famílias, o impacto mais comum é o alívio, já que passam a compreender melhor a situação e recebem orientações práticas.

"Ver uma pessoa idosa evoluindo, uma família mais tranquila e um cuidado bem organizado me faz ter certeza de que escolhi a profissão certa", afirma Anabel, que atua em consultório, domicílio e online com estimulação cognitiva e inclusão digital 60+.