A Google lançou nesta semana uma nova funcionalidade poderosa para seu modo de IA no Search, chamada "Inteligência Pessoal". O recurso, que também foi implementado recentemente no chatbot Gemini, tece juntos muitos dos serviços existentes da empresa de uma forma radicalmente nova, permitindo que o assistente acesse e raciocine sobre dados pessoais do usuário.
Com a permissão do usuário, o Gemini pode acessar a conta do Google — incluindo Gmail, Fotos, histórico de Pesquisa, YouTube e mais — e fazer conexões entre todas essas informações para responder perguntas de maneira semelhante a um assistente humano. A diferença, conforme testemunhado pelo repórter Pranav Dixit, da Business Insider, é que este assistente tem "anos de recibos" sobre a vida do usuário.
Capacidade de conexão "assustadoramente boa"
A habilidade do Gemini de conectar os pontos foi descrita como "assustadoramente boa", indo bem além do que o ChatGPT ou o Claude conseguem fazer atualmente. Em um teste, quando solicitado a sugerir pontos turísticos para os pais do repórter, que já visitaram a área da Baía de São Francisco várias vezes, o Gemini sugeriu museus e jardins, inferindo corretamente que eles já haviam feito trilhas e visitado florestas de sequoias.
Ao ser questionado sobre como sabia dessas informações, o Gemini explicou que deduziu com base em "migalhas" deixadas em toda a conta do Google: e-mails familiares, fotos de Muir Woods, uma reserva de estacionamento no Gmail e uma pesquisa no Google por "trilhas fáceis para idosos".
Google tenta antecipar preocupações com privacidade
O poder da ferramenta é tão significativo que a Google já está tentando prevenir reações de preocupação. O vice-presidente da empresa, Josh Woodward, afirmou que a Google toma "medidas para filtrar ou ofuscar dados pessoais" das conversas que os usuários têm com o Gemini.
"Não treinamos nossos sistemas para aprender o número da sua placa de carro; nós os treinamos para entender que, quando você pede por um, podemos localizá-lo", escreveu Woodward recentemente. Em um teste prático, quando questionado sobre o número da placa do carro do repórter, o Gemini foi capaz de localizá-lo com base em fotos do veículo no Google Fotos.
Funcionalidades práticas e visão de futuro
A ferramenta também se mostrou eficaz em tarefas cotidianas. Quando perguntado sobre a data de renovação do seguro do carro, o Gemini respondeu corretamente, baseando-se em e-mails da AAA na caixa de entrada do Gmail. Para ajudar no planejamento de uma viagem futura, o assistente levou em conta que a família viajaria com um bebê — porque já sabia da existência do recém-nascido.
Esta realização coloca a Google à frente na corrida por uma "superinteligência pessoal", um conceito que a Meta declarou ser seu novo norte no ano passado. Enquanto a Meta fala sobre isso como um objetivo futuro e investe bilhões em óculos com IA e centros de dados, a Google, com seu vasto registro digital da vida dos usuários, parece tê-lo concretizado primeiro.
O lançamento marca um passo significativo na evolução dos assistentes de IA, que agora passam de ferramentas de conversa genéricas para entidades com memória contextual profunda e acesso a um histórico pessoal integrado, levantando simultaneamente novas questões sobre os limites da personalização e da privacidade na era da inteligência artificial.