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Governo de SC defende lei que barra cotas raciais com base em maioria branca no estado
Política

Governo de SC defende lei que barra cotas raciais com base em maioria branca no estado

Estado alega ao STF que critérios socioeconômicos são mais adequados à sua realidade demográfica e econômica.

Redação
Redação
30 de janeiro de 2026

O governo de Santa Catarina apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) argumentação baseada na composição étnico-racial da sua população para defender a Lei Estadual nº 19.722/2026, que proíbe o uso de cotas raciais em universidades estaduais. A norma, sancionada em janeiro de 2026, é questionada por entidades que alegam violação constitucional.

Em manifestação enviada ao ministro Gilmar Mendes, a Procuradoria-Geral do Estado (PGE-SC) afirmou que Santa Catarina tem a "maior proporção de população branca do país", com 81,5% dos habitantes autodeclarados brancos, segundo dados do IBGE de 2021. A população preta e parda representa 18,1%, abaixo da média nacional de 56,1%.

Argumentos da Defesa e o Programa Universidade Gratuita

O governo catarinense sustenta que a lei não elimina políticas de inclusão, mas redefine os critérios, priorizando fatores socioeconômicos, considerados "mais objetivo e controlável". Como principal exemplo, cita o Programa Universidade Gratuita, criado em 2023, que concede bolsas integrais com base em renda.

Em 2024, o programa ofereceu 41.727 vagas, com investimento de R$ 507 milhões. Para 2026, a previsão é de um investimento de aproximadamente R$ 1,2 bilhão, beneficiando cerca de 70 mil estudantes. Dados estaduais indicam que 82% dos beneficiários cursaram o ensino médio em escolas públicas e 85% trabalham enquanto estudam.

Contexto do Processo e Outras Ações

A ação no STF foi apresentada pelo PSOL, pela União Nacional dos Estudantes (UNE) e pela Educafro. As entidades argumentam que a lei viola princípios constitucionais como direito à educação, igualdade e autonomia universitária, além de compromissos internacionais de direitos humanos.

Paralelamente, a PGE-SC informou que aguarda manifestação do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) sobre uma ação popular que trata da mesma lei. O órgão pediu a suspensão desse processo até que o STF se manifeste.

Dados Econômicos e Referência Internacional

Na defesa, o governo também apresentou dados econômicos, afirmando que a diferença de renda entre brancos e pretos ou pardos no estado está entre as menores do país. A renda média mensal de trabalhadores brancos é de R$ 2.778, enquanto a de pretos ou pardos é de R$ 2.084.

O documento enviado ao STF ainda cita uma decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, de 2023, que considerou inconstitucional o uso de critérios raciais em admissões universitárias, reforçando a defesa de critérios "verificáveis e passíveis de controle judicial".

Próximos Passos e Critérios Mantidos

A manifestação foi apresentada dentro do prazo fixado pelo STF. O ministro Gilmar Mendes ainda irá analisar o pedido de medida cautelar que pode suspender, de forma provisória, os efeitos da lei.

O governo afirma que a lei mantém reservas de vagas para pessoas com deficiência, estudantes de baixa renda e egressos de escolas públicas estaduais, critérios considerados objetivos. A PGE-SC argumenta que a Constituição não obriga os estados a adotarem um único modelo de ação afirmativa, cabendo a cada ente definir políticas conforme sua realidade.

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