Desde 1972, o tapete vermelho do Grammy Awards se consolidou como um verdadeiro desfile de moda, onde artistas apresentam visuais que frequentemente superam em impacto as próprias premiações. Ao longo de cinco décadas, looks ousados, elegantes e inovadores marcaram a memória cultural, transformando músicos em ícones de estilo e definindo tendências que ecoam muito além da noite da cerimônia.
A trajetória de moda no Grammy reflete as mudanças sociais, estéticas e tecnológicas de cada época, com momentos que vão desde o glamour old Hollywood de Selena, em 1994, até os *statements* digitais e *virais* do século XXI, como o vestido de Jennifer Lopez que, em 2000, teria motivado a criação do Google Images.
As pioneiras: definindo o glamour nos anos 70 e 80
Aretha Franklin inaugurou a era dos looks memoráveis em 1972, usando um conjunto todo laranja com um lenço na cabeça combinando, descrito pela Harper's Bazaar como "deslumbrante". Nos anos seguintes, Cher (1974), Dolly Parton (1977) e Grace Jones (1983) consolidaram a ideia de que o tapete vermelho era um palco para expressão pessoal, com visuais que iam do *fairy princess* ao *bold* com chapéu de couro e palha.
Michael Jackson elevou o patamar em 1984, com seu casaco militar bedazzled, uma luva branca e óculos de sol aviador, em uma noite em que quebrou o recorde de oito estatuetas. Seu figurinista, Michael Bush, revelou à People que o cantor se inspirava em "roupas temáticas militares britânicas exageradas".
O auge do espetáculo: dos anos 90 ao início dos 2000
A década de 1990 viu o nascimento de ícones pop com visuais igualmente marcantes. Mariah Carey, aos 20 anos, definiu o *little black dress* em sua estreia, em 1991, ano em que venceu como Melhor Artista Revelação. Em 1998, Jada Pinkett Smith brilhou com sua barriga de bebê em um vestido de duas cores, enquanto acompanhava o então namorado Will Smith.
O momento talvez mais impactante veio em 2000, com Jennifer Lopez. Seu vestido verde de alças finíssimas da Versace, com decote profundo, gerou tantas buscas online que, segundo Eric Schmidt, então presidente executivo da Google, foi um catalisador para a criação do Google Images. "O vestido viralizou antes de viral ser uma coisa", escreveu a CNN em 2020.
Outros marcos da virada do milênio incluem o visual *winter-white* de Britney Spears (2000), o *naked dress* quase imperceptível de Toni Braxton (2001) – que lhe rendeu seu sexto Grammy – e os conjuntos verdes combinando de Destiny's Child, também em 2001, todos desenhados por Tina Knowles, mãe de Beyoncé.
Reinvenção e *statements* na era digital (2006-2020)
Os anos 2000 consolidaram a moda como parte central da narrativa do Grammy. Kanye West usou um terno roxo com lapelas gigantes em 2006; Lady Gaga apareceu com cabelo amarelo neon e um vestido celestial da Armani Privé em 2010, ano de suas duas primeiras vitórias; e Rihanna dominou a década com looks ousados, como o vestido listrado transparente de Jean Paul Gaultier em 2011.
Adele, conhecida por seus *ensembles* pretos, surpreendeu em vermelho floral (Valentino) em 2013. Beyoncé usou um vestido de renda transparente da Michael Costello em 2014, após se apresentar. Taylor Swift e Selena Gomez foram *dates* uma da outra em 2016, em um momento de *BFF goals* que viralizou.
O final da década viu estreias marcantes: Cardi B em um vestido branco volumoso da Ashi Studio (2018) e Billie Eilish em seu icônico terno verde-limão da Gucci (2020), noite em que levou cinco prêmios, incluindo Álbum do Ano.
A consolidação da moda como legado (2021-2025)
Nos anos recentes, os looks continuam a fazer história. Em 2021, Beyoncé usou um *ensemble* todo de couro da Schiaparelli para se tornar a artista mais premiada da história do Grammy, com 32 vitórias. Harry Styles gerou discussão com seu terno de couro e boá de penas verdes (Gucci) em 2022.
Em 2024, Taylor Swift fez história ao vencer Álbum do Ano pela quarta vez, usando um vestido branco estilo *corset* da Schiaparelli, com uma corrente de relógio preta ajustada para meia-noite, referência ao álbum vencedor, "Midnights". No mesmo ano, Miley Cyrus homenageou Tina Turner com um vestido dourado feito de 14.000 alfinetes de segurança.
A edição de 2025 coroou a ascensão de Chappell Roan, vencedora de Melhor Artista Revelação, que usou um vestido vintage de Jean Paul Gaultier com uma ilustração da pintura "Dancer With a Bouquet", de Edgar Degas, na saia, fechando meio século de moda inesquecível no Grammy.