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Quatro mulheres foram presas nesta sexta-feira (23) por comandarem uma central de golpes instalada em um prédio comercial na avenida Faria Lima, em São Paulo. O grupo, que tinha como alvo principal idosos, aplicava fraudes financeiras com ameaças de bloqueio de CPF e supostas ações judiciais para forçar pagamentos indevidos.

As suspeitas, com idades entre 27 e 39 anos, ocupavam cargos de supervisão e gerência dentro da estrutura criminosa. Elas foram liberadas após o pagamento de fiança, enquanto outros dez suspeitos foram levados para prestar depoimento.

Estratégia de Aparência Legal

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A escolha do endereço na principal avenida financeira da cidade, associada a bancos e grandes empresas, fazia parte da estratégia para dar aparência de legalidade às cobranças e reduzir a desconfiança das vítimas, segundo a investigação. “A localização era um elemento crucial para camuflar a atividade fraudulenta”, apontam os investigadores.

O esquema obtinha dados pessoais de forma ilícita e entrava em contato oferecendo a falsa recuperação de “créditos podres”, dívidas antigas ou de difícil cobrança. Na prática, muitas das pessoas abordadas não tinham qualquer débito.

Mecanismo de Pressão sobre Idosos

Após o primeiro contato, as vítimas eram direcionadas a um atendimento telefônico, no qual os golpistas se apresentavam como integrantes de setores jurídico e de cobrança. Para sustentar o golpe, os operadores enviavam mensagens em massa que simulavam ordens judiciais, notificações extrajudiciais e alertas de restrição cadastral.

A pressão era intensificada com ameaças diretas e exigência de pagamento imediato, explorando a maior suscetibilidade de idosos ao temor de sanções financeiras ou judiciais.

Camuflagem com Atividade Legítima

A investigação revela que parte da estrutura também realizava cobranças legítimas, o que ajudava a camuflar a atividade fraudulenta e dificultava a identificação do crime. Essa dupla face do negócio permitia que o grupo operasse por um período indeterminado sem levantar suspeitas imediatas.

No local da operação, foram apreendidos documentos usados nos contatos com as vítimas e dispositivos eletrônicos que passarão por perícia para mapear a extensão do esquema.

Próximos Passos da Investigação

O caso foi registrado como associação criminosa na delegacia competente. As investigações, conduzidas pela Polícia Civil, seguem para apurar o volume financeiro movimentado pelo grupo, a participação de outros envolvidos e o número total de vítimas.

As autoridades não descartam novas prisões à medida que a análise dos materiais apreendidos avançar. O objetivo é desarticular completamente a rede e identificar todas as vítimas para eventual restituição.