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Dois dos principais ministros do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciaram a intenção de deixar seus cargos para se dedicar integralmente à campanha eleitoral de 2026. Fernando Haddad (PT), titular da Fazenda, e Camilo Santana (PT), da Educação, devem pedir exoneração nos próximos dias, conforme confirmado em entrevistas e declarações.

A saída dos ministros ocorre em um ano-chave para a estratégia de reeleição do presidente Lula, que busca consolidar alianças e fortalecer a máquina de campanha. As movimentações deixam o governo federal sem dois de seus nomes mais experientes em meio a disputas estaduais consideradas duríssimas.

Haddad pode coordenar campanha nacional ou disputar cargo em São Paulo

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Fernando Haddad confirmou ao UOL que as conversas com o presidente Lula sobre sua saída do Ministério da Fazenda já começaram. O ex-prefeito de São Paulo deve assumir um papel central na campanha de 2026, seja como coordenador da candidatura de Lula à reeleição, seja como candidato ao governo de São Paulo ou ao Senado Federal.

Haddad comandou a pasta econômica por três anos, período marcado por inflação controlada e índices de crescimento considerados razoáveis pela equipe governista. Sua gestão, no entanto, foi intensamente desgastante, com o ministro passando boa parte do tempo desmentindo boatos sobre taxações inexistentes e enfrentando oposição no Congresso Nacional.

Camilo Santana retorna ao Ceará para conter avanço oposicionista

No mesmo dia, Camilo Santana anunciou o desejo de se dedicar à campanha eleitoral no Ceará, seu reduto político. O ex-governador cearense pretende voltar ao estado para tentar manter a região como uma trincheira petista, após a ruptura da aliança entre Lula e a família Gomes.

A situação no estado é considerada delicada, com Elmano de Freitas (PT), atual governador, tendo chances reais de não se reeleger. Ciro Gomes, irmão revoltado do clã, filiou-se ao PSDB e ameaça formar uma frente oposicionista. Oficialmente, a família Gomes apoia Eduardo Girão, do Novo.

Há especulações de que o próprio Camilo Santana possa ser o candidato do PT ao governo, caso Elmano de Freitas não demonstre força eleitoral suficiente. Como ministro, Santana deixou marcas como os programas Pé de Meia, MEC Enem e MEC Livros.

Desfalque no governo em ano de eleições municipais

A saída simultânea de Haddad e Camilo Santana representa um desfalque significativo para o governo federal em 2026, ano que também terá eleições municipais. A pasta da Educação, em especial, precisará ser resguardada de ataques coordenados de opositores durante o período eleitoral.

A situação se agrava com a possibilidade de que o titular da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, Sidônio Palmeira, também deixe o cargo para integrar a equipe de campanha. As migrações evidenciam que a prioridade máxima do Palácio do Planalto é a reeleição presidencial, com a máquina governamental operando sem seus principais nomes até a conclusão do pleito.

Lula chegará à campanha com a economia estável, metade do caminho percorrido para qualquer postulante à reeleição, mas com o desafio de recompor forças em estados estratégicos como São Paulo e Ceará.