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O Telescópio Espacial Hubble, operado pela NASA e pela Agência Espacial Europeia (ESA), registrou em detalhes inéditos a galáxia NGC 7722, localizada a aproximadamente 187 milhões de anos-luz da Terra, na constelação de Pégaso. A imagem revela uma estrutura complexa com anéis de poeira e longas faixas escuras, que os astrônomos interpretam como evidência de um passado de interação ou fusão violenta com outra galáxia.

A NGC 7722 é classificada como uma galáxia lenticular, um tipo raro que apresenta características intermediárias entre as galáxias espirais e as elípticas. Ela possui um núcleo brilhante e um disco visível com anéis de gás e poeira, mas não tem os braços espirais bem definidos.

As marcas de um passado turbulento

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O aspecto mais marcante na nova imagem são as longas faixas de poeira avermelhada que serpenteiam pela borda externa da galáxia, bloqueando parte de sua luz. "A principal hipótese é que a NGC 7722 tenha passado por uma fusão ou interação gravitacional com outra galáxia no passado", explicam os astrônomos responsáveis pela observação. Essas estruturas são vestígios desse evento cósmico violento que perturbou a forma original da galáxia.

Apesar de não formar estrelas jovens em grande quantidade como uma espiral típica, a NGC 7722 não está inativa. Em 2020, astrônomos detectaram dentro dela a explosão de uma estrela, catalogada como SN 2020SSF. Tratava-se de uma supernova do tipo Ia, um fenômeno crucial para a cosmologia.

Supernova valiosa para medir o cosmos

As supernovas do tipo Ia ocorrem em sistemas binários onde uma anã branca rouba matéria de sua estrela companheira até se tornar instável e explodir. Essas explosões são extremamente brilhantes e, mais importante, têm um brilho intrínseco previsível. "Por isso, as supernovas do tipo Ia são tão valiosas para os pesquisadores. Elas ajudam os cientistas a medir distâncias cósmicas com uma precisão enorme e, de quebra, ajudam a mapear a expansão do universo", detalha o comunicado das agências espaciais.

A imagem atual foi capturada pela câmera Wide Field Camera 3 do Hubble, dois anos após a luz da supernova ter desaparecido. O objetivo não era observar a explosão em si, mas investigar seus resíduos. Com o brilho intenso dissipado, os cientistas puderam buscar elementos radioativos, analisar o ambiente ao redor da estrela que explodiu e tentar detectar sinais da estrela companheira sobrevivente.

Próximos passos da investigação

Os dados coletados pelo Hubble sobre a NGC 7722 e os arredores da SN 2020SSF continuarão a ser analisados. Essas informações contribuem para entender melhor a dinâmica das galáxias lenticulares, as consequências das fusões galácticas e as propriedades das supernovas tipo Ia, que são "velas padrão" fundamentais para calibrar a escala de distâncias do universo. Observatórios de próxima geração, como o Telescópio Espacial James Webb, poderão dar continuidade a esses estudos com ainda mais profundidade.