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A declaração do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) sobre a indicação de Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência da República em 2026 gerou reações imediatas nos mercados financeiros. Em entrevista ao Jornal Razão, o parlamentar afirmou que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), "não tem a opção de ir contra o Bolsonaro" e que a decisão já estaria alinhada com a direita.

Segundo análise do colunista Oscar Filho, publicada no portal iG, a percepção de uma tutela sobre a candidatura, em vez de uma ampla aliança, foi um dos fatores que impactou os investidores. No dia do anúncio, o dólar comercial subiu cerca de 2,3%, enquanto o Ibovespa, principal índice da bolsa de valores brasileira, caiu aproximadamente 4,3%.

Rejeição e cenário político

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O colunista aponta que Flávio Bolsonaro, senador pelo Rio de Janeiro, possui índices de rejeição mais altos do que o governador Tarcísio de Freitas. A estratégia de lançar um nome com forte apelo à base já consolidada, em detrimento de uma figura com potencial de ampliar o eleitorado, é vista por analistas como um risco que poderia facilitar a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

"Se a direita continuar insistindo em um candidato que só fala com a bolha que já está estourada, o resultado é óbvio: teremos Lula. De novo. Até 2030", escreveu Oscar Filho. Caso confirmada, uma vitória petista em 2026 teria impactos de longo prazo na composição de outros poderes.

Consequências para o Supremo e o Legislativo

Uma possível reeleição de Lula influenciaria diretamente o Supremo Tribunal Federal (STF). Atualmente, indicações dos ex-presidentes petistas Lula e Dilma Rousseff já são responsáveis pela maioria dos ministros da corte. Nos próximos anos, estão previstas as aposentadorias de ministros como Luiz Fux (2028), Cármen Lúcia (2029) e Gilmar Mendes (2030).

Se Lula vencer o próximo pleito, terá a oportunidade de indicar mais três nomes, o que elevaria para oito o total de ministros indicados pelo PT em um colegiado de 11 membros, representando 73% da corte. Paralelamente, há movimentos nos bastidores para que o ex-ministro José Dirceu retorne como candidato a deputado federal em 2026, buscando influência na composição da Mesa Diretora da Câmara.

Análise e contexto

Oscar Filho, colunista do iG e apresentador com trajetória no humor e no jornalismo, incluindo indicação ao Emmy Internacional em 2024, defende em sua análise a necessidade de equilíbrio e do contraditório no cenário político. Ele argumenta que a consolidação de um mesmo comando sobre Executivo, Legislativo e Judiciário é "tudo o que o Brasil não precisa agora".

O autor finaliza ressaltando a importância da oposição atuar dentro da legalidade e "jogar direito" para oferecer uma alternativa viável ao eleitorado, evitando a perpetuação de um cenário de polarização sem contrapesos institucionais claros.