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A influenciadora de educação financeira Nathalia Arcuri afirmou ter recebido e recusado uma proposta paga do Banco BRB para participar de um almoço com o objetivo de discutir o caso envolvendo a liquidação do Banco Master. O convite, enviado por e-mail na última terça-feira (27), previa a produção de conteúdos para redes sociais após uma apresentação da equipe técnica da instituição sobre o episódio.

Segundo capturas de tela compartilhadas por Arcuri, a proposta partiu do Banco BRB e incluía remuneração mediante nota fiscal. A iniciativa buscava que influenciadores divulgassem, de forma "transparente e objetiva", as informações recebidas durante o encontro para seus seguidores.

Detalhes da proposta rejeitada

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O e-mail, com assunto “Orçamento Banco BRB – URGENTE – NATHALIA ARCURI”, foi enviado ao endereço de parcerias da empresa Me Poupe!, da influenciadora. O texto informava que o presidente do BRB, Nelson Antonio de Souza, gostaria de convidá-la para um almoço em São Paulo ao lado de outros influenciadores, "com a finalidade de falar do Caso Master e mostrar a transparência que o BRB quer passar para seus clientes e o mercado".

A proposta detalhava a exigência de produção de stories e um reels com resumo do evento, além da presença física. O documento também previa a cessão de direito de uso de imagem para repostagens nas redes da marca e para impulsionamento por 30 dias, a obrigação de seguir um briefing fornecido pelo banco, incluir hashtags e marcações da campanha e o envio de métricas de desempenho em até 48 horas.

Contexto de crise e investigação

O relato de Nathalia Arcuri ocorre em meio a uma investigação da Polícia Federal que apura a suspeita de um ataque orquestrado ao Banco Central (BC) nas redes sociais. O inquérito foi aberto após denúncias de que influenciadores teriam sido abordados com propostas financeiras para gravar vídeos críticos ao BC, que determinou a liquidação do Banco Master.

Um dos relatos à PF foi feito pelo vereador de Erechim (RS) Rony Gabriel, que afirmou ter recebido proposta para questionar a liquidação e colocar em dúvida a credibilidade do Banco Central.

Posicionamento da influenciadora e do banco

Em publicação nas redes sociais, Nathalia Arcuri afirmou que propostas desse tipo são recusadas sistematicamente por sua equipe e que a mensagem sequer chegou diretamente até ela. "Quando um banco envolvido em escândalo precisa pagar influenciadores para ‘explicar a verdade’, o problema não é de comunicação. É de conduta", escreveu.

O iG, portal onde a reportagem original foi publicada, contactou o Banco BRB para confirmar o envio do convite e esclarecer os objetivos da iniciativa. Até a publicação, a instituição não havia se manifestado.

O almoço estava previsto para ocorrer nos dias 10 ou 24 de fevereiro, em São Paulo, em local a definir, das 12h às 14h. O pagamento seria realizado em até 40 dias, após a assinatura de contrato e emissão de nota fiscal. Nenhum valor específico foi informado no e-mail divulgado.