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O Irã vive um dos momentos mais críticos de sua história recente, com protestos populares massivos sendo reprimidos com violência extrema pelo regime islâmico. A situação, que se intensificou drasticamente no início de janeiro, levou a um corte total de internet e telefonia internacional e à imposição de toques de recolher em grandes cidades como Teerã e Shiraz.

Segundo organizações não-governamentais iranianas sediadas na Europa, mais de 50 mil pessoas foram assassinadas, quase 400 mil presas e 330 mil feridas desde o fim do mês passado. O regime, que já figurava entre os líderes mundiais em execuções, realizou mais de 2 mil apenas em 2025, antes do atual surto de violência.

Toque de recolher e "ordem de atirar"

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O presidente do Irã tem repetido que os protestos são liderados por "terroristas" que atuam em nome dos Estados Unidos e de Israel, prometendo também a execução dos manifestantes presos. Após as 18h, horário em que o toque de recolher entra em vigor diariamente, as forças de segurança recebem ordem de atirar contra qualquer pessoa encontrada nas ruas.

No dia 8 de janeiro, o regime construiu um verdadeiro "coliseu" em sua praça central, isolando a área com o corte das comunicações. Na arena, manifestantes enfrentaram milícias islâmicas em jipes portando metralhadoras automáticas. Fontes citam a presença de integrantes trazidos do Afeganistão, Iraque e possivelmente do Hezbollah, armados com fuzis de alto calibre.

Crise econômica e fuga em massa

O cenário de repressão ocorre em meio a uma crise econômica, hídrica, elétrica e institucional sem precedentes no país. O governo não consegue mais oferecer condições mínimas de vida à população, o que alimenta o descontentamento popular.

Milhares de iranianos que não suportam mais a situação e têm condições para isso estão fugindo por terra, já que o aeroporto internacional está inoperante. Eles chegam às passagens fronteiriças da Turquia, do Azerbaijão e da Armênia, enquanto aqueles que permanecem fazem um "esforço sobre-humano" para manter os protestos, clamando por liberdade nas ruas.

Expectativa por ação internacional

As ameaças de ataque do então presidente norte-americano Donald Trump surgiram nos primeiros dias das manifestações, quando a repressão ainda não havia atingido seu ápice. Na semana passada, Trump deu sinais claros de que o momento tão esperado havia chegado, levando o Irã a entrar em estado de alerta máximo.

O filho do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, enviou uma fortuna para bancos no exterior, líderes do regime se esconderam em bunkers e a Guarda Revolucionária e o exército prepararam suas defesas. No entanto, nenhum ataque visível ocorreu, com Estados Unidos e Israel limitando-se a observar os movimentos do regime.

Analistas especulam que os EUA podem ter perdido o "momentum" para um ataque cinético, mas a jornalista Miriam Sanger, que vive em Israel, acredita que as "cortinas de silêncio" no Oriente Médio costumam ser um sinal claro de que um novo furacão se aproxima. Ela destaca que Trump já provou ser um "presidente de ação" e que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, tem uma "conta em aberto" com Khamenei relacionada ao programa balístico iraniano.

O futuro do Irã permanece incerto, com a possibilidade de ver seu mapa redesenhado para atender às diferentes tribos que compõem o país, caso o povo consiga se libertar do jugo da ditadura que se mantém desde a Revolução de 1979.