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A líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, afirmou nesta sexta-feira (16) que apresentou sua medalha de ouro do Prêmio Nobel da Paz ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O gesto ocorreu durante uma reunião privada realizada na quinta-feira (15) na Casa Branca, em Washington.

O encontro acontece semanas após tropas estadunidenses capturarem o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em uma operação ordenada por Trump no início de janeiro. Machado, de 58 anos, disse a jornalistas que ofereceu a medalha "em reconhecimento ao seu compromisso único com a nossa liberdade", mas não confirmou se Trump aceitou o objeto.

Resposta do Comitê do Nobel e contexto do prêmio

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Mais cedo, os organizadores do Prêmio Nobel publicaram no X (antigo Twitter) que "uma medalha pode mudar de dono, mas o título de laureado do Prêmio Nobel da Paz não pode". A declaração foi uma resposta às afirmações anteriores de Machado à Fox News, nas quais ela disse que gostaria de "compartilhar" o prêmio com Trump.

O comitê reforçou que o reconhecimento "não pode ser compartilhado nem transferido" e que a decisão "é final e vale para sempre". María Corina Machado recebeu o Nobel da Paz no ano passado por sua atuação contra o que o comitê classificou como o "brutal Estado autoritário" liderado por Maduro.

Expectativas frustradas e novo arranjo político

Aliados da oposição venezuelana acreditavam que Machado seria reconhecida por Trump como a nova líder da Venezuela após a captura de Maduro, ocorrida na madrugada de 03 de janeiro. No entanto, o presidente dos Estados Unidos optou por apoiar a vice-presidente Delcy Rodríguez, considerada a número dois do governo, que acabou empossada como presidente interina.

Machado havia sido vista como vencedora da eleição venezuelana de 2024, mas acabou sendo deixada de lado pela Casa Branca após o início do novo arranjo político no país. A política comparou a entrega da medalha a um episódio histórico de 1825, quando o Marquês de Lafayette enviou uma medalha de ouro com a imagem de George Washington ao líder da independência sul-americana Simón Bolívar.

Justificativa histórica e simbolismo

Ao explicar o gesto para a imprensa, Machado afirmou que o ato representou "um sinal da fraternidade entre o povo dos Estados Unidos e o povo da Venezuela na luta pela liberdade contra a tirania". A reunião na Casa Branca marca um novo capítulo nas relações entre Washington e Caracas após a queda do governo Maduro.

O futuro político de María Corina Machado e o papel dos Estados Unidos na transição venezuelana permanecem como pontos centrais de observação internacional, enquanto o país busca estabilidade após anos de crise e autoritarismo.