Líderes de diversos países da América Latina e a Rússia reagiram neste sábado (3) aos ataques militares dos Estados Unidos contra a Venezuela. Enquanto a maioria condenou a ação e pediu respeito à soberania venezuelana, o presidente da Argentina, Javier Milei, comemorou publicamente a captura do presidente Nicolás Maduro.
As declarações ocorrem em meio a uma escalada da crise política na Venezuela, com intervenção militar direta dos Estados Unidos. A comunidade internacional se divide entre apoiadores da ação, que visava a captura de Maduro, e críticos que a consideram uma violação do Direito Internacional.
Condenações e apelos por paz
O governo russo foi um dos primeiros a se manifestar, classificando os ataques como um "ato de agressão armada". Em comunicado oficial, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia afirmou estar "profundamente preocupado" e defendeu que "é importante evitar uma nova escalada e concentrar esforços para encontrar uma saída por meio do diálogo".
Na América Latina, a condenação foi unânime entre os governos que se pronunciaram, com exceção da Argentina. O presidente da Colômbia condenou veementemente os ataques e anunciou que buscará convocar o Conselho de Segurança das Nações Unidas. "O governo colombiano repudia a agressão contra a soberania da Venezuela e da América Latina", afirmou, defendendo que "conflitos entre povos devem ser resolvidos pacificamente".
Posicionamento dos países latino-americanos
Cuba e Chile também emitiram notas oficiais repudiando a ação militar. O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, qualificou o ataque como "terrorismo de Estado contra o bravo povo venezuelano". Já o mandatário chileno, Gabriel Boric, expressou "preocupação e condenação" e reafirmou a adesão do Chile aos "princípios básicos do Direito Internacional, como a proibição do uso da força e a não intervenção".
Em contraste, o presidente argentino, Javier Milei, celebrou a captura de Maduro. Em suas redes sociais, Milei compartilhou uma montagem com uma foto do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva ao lado de Maduro e escreveu: "A liberdade avança, viva a liberdade".
Contexto e próximos passos
A crise venezuelana, marcada por anos de instabilidade política e econômica, atinge um novo patamar com a intervenção militar estrangeira. Enquanto os Estados Unidos justificam a ação, os países críticos pressionam por uma solução no âmbito multilateral.
O apelo recorrente nas declarações de Rússia, Colômbia, Cuba e Chile é pelo diálogo como único caminho para a resolução da crise. A movimentação no Conselho de Segurança da ONU, solicitada pela Colômbia, deve ser o próximo palco de discussões sobre o futuro da Venezuela e as implicações da intervenção norte-americana na região.