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Janie George, 31 anos, diretora de arte sênior e mãe de três filhos em Utah, está implementando uma abordagem educacional que mistura tecnologia moderna com dispositivos analógicos dos anos 1990. O objetivo declarado da família é cultivar um equilíbrio entre o digital e o físico, promovendo momentos de conexão e desaceleração.

George e o marido adquiriram equipamentos como uma filmadora VHS/DVD por US$ 80 em um anúncio no Facebook Marketplace, uma máquina de escrever vintage por US$ 35 e um "Telefone de Lata" (Tin Can phone), um dispositivo controlado por aplicativo que custa US$ 75 mais uma taxa mensal de US$ 9.99. A decisão, segundo ela, visa gerenciar o consumo de mídia das crianças, de 3, 6 e 9 anos, e retardar a necessidade de um celular pessoal.

Rituais de entretenimento e consumo consciente

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A família criou um sistema de entretenimento segmentado. No andar de baixo da casa, as crianças têm acesso a um Nintendo Classic Mini e à coleção de filmes em VHS, onde podem operar os equipamentos de forma independente. Conteúdos mais modernos, como YouTube TV ou Nintendo Switch, ficam restritos ao andar superior, sob supervisão dos pais.

Um dos rituais implementados é a simulação de uma locadora de filmes. As crianças vão a uma loja de artigos usados, escolhem um filme, compram pizza e uma guloseima, recriando a experiência que George teve na infância. Elas podem gastar o dinheiro das tarefas domésticas para adquirir novos títulos, seja em brechós locais ou no eBay.

Fotografia, colecionáveis e comunicação analógica

George fotografa a família com uma câmera de filme há anos, argumentando que o processo, mais lento e caro, captura momentos de forma única. "Você simplesmente não consegue capturar esse tipo de momento com um iPhone ou outra câmera digital", afirmou.

As crianças também se envolvem em atividades como colecionar e trocar cartas de baralho esportivas, que carregam de bicicleta até a casa dos amigos. A máquina de escrever é usada para redigir cartas e para atividades criativas, como a elaboração de briefings de design para que os filhos criem logotipos.

O "Telefone de Lata", com seu recurso de "horário silencioso" controlado pelos pais, é apresentado como uma ferramenta para ensinar habilidades de comunicação telefônica e gestão de agenda. "É uma ótima maneira de adquirir habilidades como falar ao telefone, falar educadamente e gerenciar seus horários", explicou George.

Objetivo familiar e contexto geracional

A iniciativa faz parte de um movimento mais amplo observado entre alguns pais millennials, que buscam reviver elementos de sua própria infância na criação dos filhos. Para a família George, a adoção de tecnologias analógicas não significa uma rejeição total do moderno, mas uma curadoria intencional para "conectar, desacelerar e ter mais momentos divertidos juntos".

George resumiu a filosofia: "Eu só quero que eles estejam presentes onde estão". A experiência tem sido compartilhada por ela em plataformas de mídia, ilustrando uma tendência de consumo nostálgico e uma reflexão sobre o ritmo da vida digital.