Malafaia desafia Damares a citar nomes de igrejas em supostas fraudes no INSS
Pastor cobra que senadora apresente provas concretas após acusações genéricas sobre envolvimento de líderes religiosos em esquemas.
O pastor Silas Malafaia desafiou publicamente a senadora Damares Alves (Republicanos) a apresentar os nomes de líderes religiosos e igrejas que, segundo ela, estariam envolvidos em fraudes contra aposentados do INSS. A cobrança foi feita em um vídeo divulgado nas redes sociais, no qual Malafaia classifica as acusações da parlamentar como graves e exige identificação e provas.
O embate público começou após declarações da senadora em entrevista ao SBT News no último domingo (11). Damares afirmou que há pressões para impedir investigações e que igrejas aparecem em esquemas de fraudes aos aposentados. "Nós estamos identificando igrejas nos esquemas de fraudes aos aposentados. Aí quando se fala de um grande pastor, vem a comunidade: 'Não falem, não digam, não investigam, porque os fiéis vão ficar muito triste'", disse a senadora.
Reação imediata e cobrança por nomes
No vídeo de resposta, Malafaia exibiu um trecho da fala de Damares antes de reagir. O pastor foi enfático ao cobrar detalhamento. "Uma questão gravíssima dessa, uma acusação desse nível e a senhora não dá os nomes dos grandes líderes evangélicos e das grandes igrejas que estão envolvidas na falcatrua", afirmou Malafaia. Ele completou: "Ou a senhora dá os nomes, ou a senhora é uma leviana linguaruda".
Malafaia argumentou que, se existem provas, elas devem ser apresentadas de forma clara para o bem da própria igreja evangélica. Ele encerrou o vídeo afirmando que aguarda a divulgação dos nomes mencionados e classificou a postura da senadora, na ausência de provas, como "covarde e vergonhosa".
Nota oficial da senadora e lista de requerimentos
Em resposta à polêmica, a assessoria de Damares Alves divulgou uma nota ainda nesta terça-feira (13). O comunicado afirma que as declarações foram feitas no contexto da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) que investiga fraudes no INSS e que as informações seriam públicas, constando em requerimentos aprovados pela comissão.
A nota lista uma série de pedidos de transferência de sigilo apresentados pela senadora durante os trabalhos da CPMI. Entre as instituições mencionadas estão a Adoração Church, a Igreja Assembleia de Deus Ministério do Renovo, o Ministério Deus é Fiel Church (SeteChurch) e a Igreja Evangélica Campo de Anatote.
O texto também cita convites e convocações feitos a líderes religiosos como Cesar Belucci do Nascimento, André Machado Valadão, Péricles Albino Gonçalves, Fabiano Campos Zettel e André Fernandes. A senadora ressalta que os requerimentos foram baseados em indícios identificados em documentos oficiais, como Relatórios de Inteligência Financeira (RIF) e informações da Receita Federal, analisados com respeito ao devido processo legal.
Nova réplica do pastor e acusação de contradição
Após a divulgação da nota, Silas Malafaia publicou uma nova mensagem afirmando que Damares "se contradiz". Segundo o pastor, o comunicado citou apenas um líder religioso já mencionado anteriormente na imprensa e nenhuma "grande igreja", como sugerido no plural usado pela senadora em sua acusação inicial.
Malafaia sustentou que a acusação genérica, sem a apresentação de nomes concretos de grandes denominações ou líderes renomados, teria "denegrido de maneira geral a igreja evangélica". A troca de acusações evidencia a tensão no debate público sobre o alcance das investigações da CPMI do INSS e os limites das acusações envolvendo instituições religiosas.
Contexto da investigação e próximos passos
A CPMI dos Maus-tratos e Fraudes no INSS foi instalada em 2023 para apurar desvios e irregularidades no instituto. O envolvimento de igrejas e líderes religiosos em esquemas de fraude tem sido um dos eixos investigados, com base em cruzamento de dados financeiros. A polêmica entre Malafaia e Damares coloca em evidência o desafio de conciliar a presunção de inocência com a transparência das investigações quando figuras públicas e instituições de grande capilaridade social são mencionadas.
O desfecho do impasse agora depende se a senadora apresentará publicamente mais detalhes que sustentem suas acusações ou se o debate permanecerá no campo das acusações genéricas versus cobranças por provas. A CPMI segue seus trabalhos com a perspectiva de votar seu relatório final nos próximos meses.
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