Katie Bullon, ex-gerente de marketing corporativo, enfrentou uma realidade mais dura do que o esperado ao tentar conciliar a maternidade com o trabalho autônomo. Após deixar seu emprego de tempo integral para ter mais flexibilidade com o primeiro filho, ela descobriu que a rotina de freelancer como nova mãe era mais exaustiva e desafiadora do que sua antiga vida corporativa.
A decisão de Bullon de se tornar freelancer veio após um dia de reintegração pós-licença-maternidade, quando seu filho tinha 7 meses. Ela percebeu que não conseguiria manter os padrões profissionais que exigia de si mesma no modelo de trabalho corporativo, mesmo em tempo parcial. "Lembro de terminar o dia, chorando no escritório da minha chefe, dizendo que simplesmente não podia voltar", relatou Bullon à Business Insider.
A realidade do "fazer tudo"
O plano inicial era dedicar atenção total ao filho durante o dia e trabalhar apenas durante seus cochilos. No entanto, a exaustão das noites mal dormidas, a curva de aprendizado da maternidade e a demanda constante dos clientes criaram uma pressão insustentável. Bullon trabalhava em média 20 horas não faturadas por semana para gerenciar todos os aspectos do negócio sozinha, algo que não precisava fazer no ambiente corporativo.
A situação se intensificou com o nascimento do segundo filho, apenas 20 meses após o primeiro. Com um recém-nascido que não aceitava mamadeira e um bebê para cuidar, Bullon frequentemente trabalhava com o laptop em uma mão enquanto amamentava com a outra. "Eu estava absolutamente determinada a fazer tudo, e fazer tudo perfeitamente", confessou.
Consequências para a saúde e mudança de rumo
A tentativa de equilibrar maternidade e trabalho autônomo teve um custo alto. A saúde mental de Bullon deteriorou-se, sua saúde fÃsica piorou e seu relacionamento conjugal ficou abalado. "Eu estava exausta o tempo todo e sentia que tinha chegado ao fundo do poço", descreveu.
A solução veio quando Bullon decidiu se juntar a uma franquia de marketing. Essa mudança permitiu que ela continuasse na área que ama, mas com o suporte de um escritório central e uma equipe para executar o trabalho operacional que a sobrecarregava quando trabalhava sozinha.
O aprendizado e o conselho
Refletindo sobre a experiência, Bullon tem um conselho claro para outras mães em situação similar: "Você não pode fazer tudo, nem deveria". Ela enfatiza que, como mãe, não pode se colocar em último lugar e deve construir uma vida que priorize seu próprio bem-estar para evitar o esgotamento constante.
A experiência de Bullon desafia a percepção comum de que o trabalho autônomo é uma solução mais fácil para mães que desejam conciliar carreira e famÃlia, destacando a importância de estruturas de apoio e expectativas realistas.