As gigantes da tecnologia Meta e Microsoft reportaram gastos de capital (capex) superiores ao esperado no último trimestre, mas as reações de Wall Street foram diametralmente opostas. Enquanto as ações da Meta subiram até 9% após o anúncio dos resultados, os papéis da Microsoft caíram mais de 6% no after-hours, refletindo a ansiedade dos investidores sobre o retorno dos bilionários investimentos em inteligência artificial.
O aumento acentuado nos gastos das Big Tech nos últimos dois anos é impulsionado por investimentos em massivos data centers para IA. Analistas começam a questionar quando esses investimentos vão se pagar, cobrando preços diferentes de cada empresa.
Meta projeta gastos recordes com sua aposta em IA
A Meta reportou um capex de US$ 22,1 bilhões para o quarto trimestre e US$ 72,2 bilhões para o ano de 2025, um salto significativo em relação aos US$ 39,2 bilhões de 2024. A previsão é que o número suba ainda mais: a empresa estima que os gastos de capital estarão na faixa de US$ 115 bilhões a US$ 135 bilhões para 2026.
Esse aumento é impulsionado pelos gastos com os Meta SuperIntelligence Labs, a grande aposta da empresa para acelerar o desenvolvimento de modelos de IA. "Planejamos continuar a priorizar o investimento no negócio para apoiar essas oportunidades", afirmou a CFO Susan Li aos investidores.
A receita da Meta foi de US$ 55,9 bilhões no quarto trimestre e US$ 200,1 bilhões em todo o ano de 2025, superando as expectativas de Wall Street. Li destacou que as reservas de caixa da empresa, graças ao seu negócio de publicidade muito lucrativo, financiarão a onda de gastos com IA no próximo ano.
Microsoft enfrenta ceticismo com capex em alta
A Microsoft, por sua vez, registrou US$ 37,5 bilhões em capex no trimestre, um aumento de 66% em relação ao mesmo período do ano anterior. A maior parte desse gasto foi direcionada para CPUs e GPUs, os poderosos chips de computação que executam cargas de trabalho de IA. A empresa afirmou que o investimento é necessário para atender à demanda de rápido crescimento por seus negócios de nuvem e IA.
A receita da Microsoft foi de US$ 81,3 bilhões no trimestre, um crescimento de 17% em relação ao ano anterior, também acima do esperado pelos analistas. No entanto, o mercado reagiu negativamente ao forte aumento nos gastos.
Keith Weiss, da Morgan Stanley, apontou que uma questão central para os investidores, à medida que o capex da Microsoft cresce mais rápido do que o esperado, "se resume ao retorno sobre o investimento (ROI) nos gastos com capex ao longo do tempo".
Exposição à OpenAI gera preocupação adicional
Outro ponto de preocupação para os investidores é a forte exposição da Microsoft a um único cliente: a OpenAI. Quase metade – 45% das obrigações de desempenho remanescentes da Microsoft – são atribuídas à empresa de inteligência artificial.
"Há obviamente uma preocupação com a durabilidade", disse o analista da Jeffries, Brent Thill, sobre o backlog. A Microsoft detém uma participação de US$ 135 bilhões na OpenAI e já investiu mais de US$ 13 bilhões na empresa desde 2019.
Embora a OpenAI não carregue diretamente uma grande carga de dívida, alguns de seus parceiros, incluindo Oracle, CoreWeave e Nvidia, assumiram quantias massivas de dívida para financiar a construção de data centers, alimentando a ansiedade de Wall Street sobre uma possível bolha de IA. A Oracle, por exemplo, enfrenta dificuldades para financiar sua iniciativa de data center de US$ 500 bilhões, conforme reportado na semana passada.