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Plataformas de "microdramas" – séries com episódios de cerca de um minuto em formato vertical – estão gerando bilhões de dólares anuais, replicando um fenômeno que começou na China e agora avança no mercado norte-americano. Apesar de roteiros previsíveis e atuações consideradas ruins, o modelo de negócio baseado em anúncios e micropagamentos tem se mostrado extremamente lucrativo, atraindo até mesmo o TikTok, que lançou seu próprio aplicativo dedicado, o PineDrama.

Dados da empresa de inteligência de aplicativos Appfigures mostram a dimensão do mercado: o app ReelShort faturou aproximadamente US$ 1,2 bilhão em gastos diretos dos consumidores em 2025, um aumento de 119% em relação a 2024. Outro aplicativo líder, o DramaBox, movimentou US$ 276 milhões no ano passado, mais que dobrando seus números de 2024.

O sucesso onde o Quibi falhou

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O crescimento do setor é surpreendente diante do fracasso estrondoso do Quibi há cinco anos. A plataforma, fundada pelo ex-presidente da Disney Jeffrey Katzenberg, arrecadou mais de US$ 1,75 bilhão e produziu conteúdo com estrelas como Liam Hemsworth e Reese Witherspoon, mas não encontrou audiência. Em contraste, os microdramas, com títulos como "My Sister is the Warlord Queen" e "In Love with a Single Farmer-Daddy", prosperam.

"Como eles estão tendo sucesso onde o Quibi falhou? Eles são basicamente um OnlyFans para o olhar feminino", analisou Eric Wei, especialista em economia de criadores e CEO da Karat Financial, em entrevista ao TechCrunch. "Eles fazem 'romantasy', onde os títulos são todos tipo 'My Alpha'. É como 'Cinquenta Tons de Cinza', mas para vídeo vertical."

Modelo de negócio e "dark patterns"

A estratégia por trás dos apps replica os chamados "dark patterns" (padrões enganosos) comuns em jogos para celular. O conteúdo inicial é gratuito, mas, em momentos-chave do enredo, o usuário é interrompido por um pop-up solicitando o pagamento de uma moeda virtual (como "tokens") para continuar assistindo ou para desbloquear finais mais satisfatórios. A alternativa é assistir a anúncios.

Com o tempo, o aplicativo é projetado para criar um vício, e o usuário pode acabar comprando um passe sem anúncios por cerca de US$ 20 por semana. Em um mês, esse valor supera a soma das assinaturas de serviços como HBO Max, Netflix, Hulu, Disney+ e Paramount+.

IA acelera a produção em massa

A inteligência artificial começa a desempenhar um papel central na escalada da produção. A PocketFM, plataforma de áudio-séries, já lançou uma ferramenta chamada CoPilot, treinada em milhares de horas de conteúdo para entender os "clímax" de uma história formulaica e ajudar escritores a inserir ganchos narrativos. Já a startup ucraniana Holywater, que captou US$ 22 milhões para seu app My Drama, se autodenomina uma "rede de entretenimento com foco em IA".

Para Sean Atkins, CEO da Dhar Mann Studios, o formato também representa uma oportunidade para criadores de conteúdo. "Pense nisso – o formato curto tem um custo operacional menor que o de longa-metragem, e o vertical é ainda mais enxuto", disse ele ao TechCrunch. "Acho que veremos um punhado de criadores começando a investir nisso significativamente."

O setor recebeu um novo impulso com o anúncio de que o GammaTime, um novo aplicativo de microdramas fundado por veteranos de Hollywood, levantou US$ 14 milhões em uma rodada de investimento que incluiu aportes dos anjos investidores Alexis Ohanian, Kris Jenner e Kim Kardashian. O movimento indica uma crescente legitimação e interesse do mainstream pelo modelo, que, apesar das críticas à qualidade do conteúdo, demonstra ter encontrado uma fórmula financeiramente vencedora.