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A vendedora Aline Guimarães, de 44 anos, foi atacada com mais de 70 facadas pelo ex-namorado em julho de 2019, em Taubaté, interior de São Paulo. O crime, registrado como feminicídio tentado, ocorreu quando ela já não mantinha um relacionamento com o agressor e possuía uma medida protetiva contra ele. Socorrida em estado grave, Aline permaneceu internada na UTI do Hospital Regional.

Quase sete anos após a agressão, Aline afirma que a experiência a transformou. "Essa história me transformou. Hoje, digo às mulheres que é essencial se cuidar, passar um tempo sozinha, se conhecer e entender por que aceitaram viver esse abuso", conta. Ela usa sua história como inspiração e alerta, destacando que a violência doméstica ultrapassa classes sociais e que a imagem pública de um homem nem sempre reflete seu comportamento no relacionamento.

Agressor cumpre pena e vítima alerta para ciclos

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O autor do crime foi preso e cumpre pena na Penitenciária II (P2) de Tremembé. De acordo com a Secretaria de Administração Penitenciária (SAP), ele progrediu para o regime semiaberto em janeiro de 2024. A Polícia Militar foi acionada por vizinhos que ouviram os gritos de socorro; o agressor levou uma faca e pegou outras duas no local, sendo que uma delas chegou a quebrar durante o ataque.

Aline faz um alerta sobre a repetição de ciclos de violência. "Mulheres que sofrem relacionamentos abusivos precisam redobrar o cuidado, pois tendem a repetir esse ciclo. O abusador vem mascarado, disfarçado de acolhedor", ressalta. Para ela, é fundamental entender o que aconteceu para evitar que novos casos ocorram.

Números da violência contra a mulher em São Paulo

Os dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP) de São Paulo mostram um cenário preocupante. Em 2019, ano do crime contra Aline, o estado registrou 184 casos de feminicídio. Já de janeiro a novembro de 2025, foram registrados 233 casos em todo o estado, representando um aumento de aproximadamente 27% nas ocorrências.

Além dos feminicídios, no mesmo período de 2025, foram registrados 13.355 casos de estupro em São Paulo. O Governo do Estado mantém ações de acolhimento e uma rede de proteção, como o programa Cabine Lilás, para atender vítimas de violência.

Aline Guimarães enfatiza a importância da discussão pública sobre o tema. "Hoje, o assunto é amplamente debatido, mostrando que o abuso ultrapassa classes sociais, idade e gêneros", explica. Sua trajetória de superação e alerta continua a servir como um ponto de reflexão sobre um problema estrutural da sociedade.