Publicidade

A NASA batizou sua nova missão de retorno à Lua com o nome Artemis, em referência à deusa grega da Lua, irmã gêmea de Apollo. A escolha reflete um marco histórico: pela primeira vez, uma astronauta mulher caminhará na superfície lunar. O programa Artemis pretende retomar a exploração do satélite natural da Terra décadas após o fim das missões Apollo.

O astrônomo Emerson Roberto Perez, do Urânia Planetário, explica a simbologia: “Por envolver agora uma astronauta mulher, para poder caminhar na Lua pela primeira vez, faz todo sentido esse simbolismo mitológico dessa tradição”. A tradição de nomear missões espaciais com referências mitológicas é antiga, herdada de civilizações como a mesopotâmica, grega e egípcia, que usavam o céu como calendário e base para suas narrativas.

O legado mitológico na astronomia

Publicidade

Na mitologia grega, Artemis é filha de Zeus e Leto, e irmã gêmea de Apollo, deus associado ao Sol. A deusa, que na mitologia romana é conhecida como Diana, é retratada como caçadora, protetora da natureza e símbolo de independência. “A astronomia nasce em um berço mitológico muito forte”, afirma Emerson Perez, destacando que nomes como Marte, Vênus e Júpiter também vêm de divindades.

Essa conexão entre mito e ciência é estratégica. “Ajuda a despertar a curiosidade dos jovens pelo assunto”, completa o astrônomo. Para ele, a NASA foi muito feliz na escolha: “Artemis, ou Diana na mitologia romana, representa a força. Tem tudo a ver com essa nova fase”.

Os detalhes da missão Artemis I

A primeira missão do programa, Artemis I, não será tripulada e servirá como teste crucial. O foguete Sistema de Lançamento Espacial (SLS) levará a cápsula Orion em uma viagem ao redor da Lua. A trajetória planejada, chamada de “retorno livre”, utilizará a gravidade do sistema Terra-Lua para trazer a espaçonave de volta sem grandes manobras de propulsão.

O voo testará sistemas críticos, como suporte à vida, comunicação e navegação, preparando o terreno para missões tripuladas. A Orion viajará por cerca de quatro dias até passar pelo lado oculto da Lua, alcançando mais de 370 mil quilômetros de distância da Terra – ponto mais distante já alcançado por uma espaçonave projetada para humanos.

O caminho para a Lua

As missões subsequentes, Artemis II e III, serão tripuladas. A Artemis II realizará um voo ao redor da Lua com astronautas a bordo. Já a Artemis III, prevista para os próximos anos, tem o objetivo histórico de pousar na superfície lunar, incluindo a primeira mulher e a primeira pessoa não-branca a caminhar na Lua.

A tripulação da Artemis II será composta pelos astronautas da NASA Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, e pelo astronauta da Agência Espacial Canadense, Jeremy Hansen. Eles partirão do Centro Espacial Kennedy, na Flórida. A missão terá duração aproximada de 10 dias e é considerada um passo fundamental para o retorno sustentável à Lua.