A fabricante de dispositivos eletrônicos Nothing inaugurou sua primeira loja de varejo na Índia, na cidade de Bengaluru. A empresa, com sede em Londres e apoiada pela Tiger Global, escolheu o país por ser seu mercado mais forte, onde já detém mais de 2% do mercado de smartphones, segundo a analista IDC. A abertura ocorre em meio a uma expansão planejada que inclui futuras lojas em Tóquio e Nova York.
O espaço de dois andares foi projetado para ser uma experiência imersiva, exibindo produtos da Nothing e da CMF, sua marca de orçamento. "Queríamos criar um espaço divertido, inspirado em partes relacionadas à marca, como a fábrica. Há uma linha de produção onde o produto sai, e máquinas que mostram testes de resistência", explicou o cofundador e CEO Carl Pei à TechCrunch.
Estratégia de marcas diferenciadas
A loja apresentará itens das duas marcas do grupo, que possuem posicionamentos distintos. "A Nothing é mais nicho, com preço mais alto. A CMF é mais voltada para o público massivo, mas não são produtos genéricos de prateleira; são itens nos quais colocamos muito cuidado", detalhou Pei. A CMF tem sede na Índia e uma joint venture com a fabricante local Optiemus.
O crescimento da Nothing na Índia foi de 85% no segundo trimestre de 2025 na comparação anual, tornando-a a marca que mais cresce no país naquele período. O sucesso no mercado indiano é um pilar central para a empresa, que arrecadou US$ 200 milhões em uma rodada de financiamento Série C no ano passado, elevando seu valuation para US$ 1,3 bilhão.
Contexto do varejo premium na Índia
A movimentação da Nothing se insere em uma tendência de outras fabricantes de hardware que também estão investindo em lojas conceito na Índia. A Apple, por exemplo, deve abrir sua sexta loja no país ainda este mês, em Borivali, Mumbai. Essas aberturas refletem a importância estratégica do mercado indiano de consumo de tecnologia, que atrai investimentos em experiências de varejo físico de alto nível.
A nova loja em Bengaluru é a primeira unidade física da Nothing fora de Londres. A empresa não divulgou prazos específicos para as inaugurações planejadas no Japão e nos Estados Unidos. Até o momento, a startup já levantou um total de US$ 450 milhões em financiamento, com investidores como GV, Highland Europe e EQT.