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Uma imagem falsa, criada por inteligência artificial, levou grandes veículos de comunicação a publicarem notícias sobre a demolição do Teatro Procópio Ferreira, localizado na Rua Augusta, em São Paulo. A informação, que se espalhou rapidamente nas redes sociais na última semana, foi replicada por portais como Terra, Band, CNN e Globo, que anunciaram o "início da demolição" em suas manchetes.

O teatro, no entanto, permanece intacto. A demolição não ocorreu. Apenas alguns veículos, como a Folha de S.Paulo e a Veja São Paulo, esclareceram a situação desde o título. A maioria das publicações que cometeu o erro fez correções discretas posteriormente, geralmente no final das matérias, após o estrago informacional já ter sido consumido pelo público.

Falta de verificação em local acessível

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O caso chamou a atenção pelo fato de o teatro estar localizado em uma das regiões mais centrais e acessíveis da capital paulista, próximo à Avenida Paulista. A verificação in loco, portanto, seria simples, bastando um deslocamento de poucos minutos por qualquer meio de transporte. "Era só o quem escreveu as matérias pedir pra uma tia solteira que mora perto passar na frente e mandar um áudio", ironizou o colunista e humorista Oscar Filho, que tem ligação afetiva com o local.

Oscar Filho se apresentou semanalmente no teatro por dois anos com o Clube da Comédia Stand-up, grupo pioneiro do gênero no país, ao lado de nomes como Marcelo Mansfield, Danilo Gentili e Rafinha Bastos. Ele também dirigiu um show de comédia no local.

Impacto da desinformação e contexto real

A publicação da notícia falsa, segundo análise do colunista, alimenta um "inconsciente popular" que pode beneficiar a especulação imobiliária. O Teatro Procópio Ferreira, de fato, está fechado e é alvo de interesse do mercado imobiliário, mas sua demolição ainda não aconteceu.

O episódio levanta críticas sobre os procedimentos de checagem em redações, mesmo as grandes e tradicionais, em um cenário de pressão por publicação rápida e engajamento. "Fake news não é mais coisa de tio conspiracionista. Hoje ela vem com o emblema de veículos que deveriam apenas nos informar direito", escreveu Filho.

O colunista alerta para o perigo desse tipo de erro em um ano eleitoral, onde a desinformação pode ter impactos ainda maiores. A correção tardia e pouco destacada não alcança a mesma audiência que a manchete inicial e falsa, deixando uma parcela significativa do público com a informação errada.