A entrada em vigor da Lei de Mercados Digitais (DMA) na União Europeia e da Lei de Competição em Software Móvel (MSCA) no Japão está abrindo espaço para lojas de aplicativos alternativas nos iPhones. Essas novas plataformas permitem que desenvolvedores distribuam seus apps fora da App Store da Apple, sujeitos a seus próprios processos de revisão e políticas, embora ainda precisem cumprir alguns requisitos básicos de segurança da fabricante.
Para operar uma loja alternativa na UE, os desenvolvedores devem aceitar os novos termos comerciais da Apple para apps em conformidade com a DMA. Isso inclui o pagamento de uma Taxa de Tecnologia Central (Core Technology Fee) de €0,50 para cada primeira instalação anual do app da loja, mesmo antes do limite de 1 milhão de instalações ser atingido. No Japão, os termos incluem comissões reduzidas da App Store, entre 10% e 21%, e uma taxa de processamento de pagamento de 5%.
AltStore PAL lidera oferta de apps independentes
Criada pelo desenvolvedor Riley Testut, também responsável pelo emulador de jogos Nintendo Delta, a AltStore PAL é uma loja alternativa aprovada oficialmente na UE. De código aberto, ela permite que desenvolvedores independentes distribuam seus apps. Diferente da App Store, os aplicativos na AltStore são auto-hospedados pelos desenvolvedores, exigindo que os usuários adicionem manualmente "fontes" para acessá-los.
Entre os apps populares disponíveis através dessas fontes estão o UTM, para executar Windows e outros softwares no iOS; o OldOS, uma recriação do iOS 4; o dicionário Kotoba; o app de torrent iTorrent; e a plataforma de descoberta social PeopleDrop.
Epic Games e outras empresas entram no mercado
A Epic Games, fabricante de Fortnite, lançou sua própria loja de apps para iOS na UE em agosto de 2024. A loja oferece jogos como Fortnite, Rocket League Sideswipe e Fall Guys. A empresa também está apoiando outras lojas alternativas, como a AltStore PAL, por meio de um subsídio.
Outra opção é a Aptoide, uma loja de código aberto já conhecida como alternativa ao Google Play no Android, que lançou sua versão para iOS na UE. Ela não cobra dos usuários, mas aplica uma comissão de 10% a 20% sobre compras dentro do app. A Mobivention, por sua vez, foca no mercado corporativo (B2B), permitindo que empresas distribuam apps internos para funcionários.
Modelos inovadores e fechamentos
Algumas lojas trazem propostas diferenciadas. A Skich, anunciada em março de 2025, promete uma interface no estilo Tinder para descoberta de apps, onde os usuários deslizam a tela para "combinar" com aplicativos. Já a Onside, disponível na UE e, desde 17 de fevereiro de 2026, no Japão, promete taxas mais baixas aos desenvolvedores e uma experiência familiar ao usuário, com coleções editoriais e avaliações.
Nem todas as iniciativas prosperaram. A Setapp, da MacPaw, uma das primeiras a lançar uma loja alternativa na UE, anunciou o encerramento do serviço Setapp Mobile para iOS em 16 de fevereiro de 2026. A empresa citou os termos comerciais "complexos" e "em evolução" da Apple como motivo para a decisão.
Contexto regulatório e próximos passos
A abertura para lojas alternativas é um desdobramento direto de ações regulatórias. Na UE, a DMA entrou em vigor para combater práticas anticompetitivas. Nos EUA, uma ação judicial movida pela Epic Games contra a Apple, embora não tenha considerado a empresa culpada de truste, abriu caminho para que desenvolvedores pudessem vincular a pagamentos externos. A expansão para o mercado japonês segue a nova lei local (MSCA).
Especialistas do setor acompanharão a adoção dessas lojas pelos usuários e a resposta da Apple a esse novo cenário competitivo, que redefine a distribuição de software em seus dispositivos.