Você já imaginou encontrar uma mensagem de despedida escrita por uma das figuras mais controversas da história recente, escondida dentro de um livro? Pois foi exatamente isso que aconteceu. E o conteúdo desse bilhete, que ficou anos fora dos holofotes, pode mudar a forma como você enxerga todo o caso Epstein.
O que diz a "nota de suicídio" que ninguém queria mostrar?
Na última quarta-feira, um juiz federal de Nova York tornou público um documento crucial: uma nota manuscrita que teria sido deixada pelo próprio Jeffrey Epstein. E o tom dela é tudo, menos de arrependimento.
“Eles me investigaram por meses — NÃO ENCONTRARAM NADA!!!”, escreveu Epstein, em letra que parece ser sua. “Então, acusações de 15 anos atrás surgiram. É um prazer poder escolher a hora de dizer adeus.”
A nota termina com um desafio: “O que você quer que eu faça — Desabar e chorar!! DIVERTIDO NÃO — NÃO VALE A PENA!!”
Mas como esse papel foi parar nas mãos de um assassino condenado? E por que ele ficou escondido por tanto tempo?
O ex-companheiro de cela que virou peça-chave no mistério
O bilhete não veio do Departamento de Justiça, nem de uma investigação do Congresso. Ele surgiu em um processo judicial envolvendo Nicholas Tartaglione, um ex-policial condenado por um quádruplo homicídio em 2023. Tartaglione foi colega de cela de Epstein na prisão de Manhattan.
Segundo ele, encontrou o bilhete após a primeira tentativa de suicídio de Epstein, em 23 de julho de 2019. Naquele dia, um agente penitenciário encontrou Epstein com uma tira de pano laranja pendurada em uma escada do beliche e enrolada no pescoço. Tartaglione acordou e chamou os guardas “quando sentiu Epstein cair em cima dele”, segundo uma investigação posterior.
As versões dos dois sobre o incidente eram diferentes. Epstein disse a seus advogados que não estava suicida e que Tartaglione havia tentado extorqui-lo, oferecendo proteção em troca de dinheiro. Já o ex-policial afirmou que Epstein tentou se matar.
Dias depois, Tartaglione disse ter encontrado a nota dentro de um romance gráfico na cela. Ele a entregou a seus advogados, e o documento acabou se tornando uma peça em uma disputa legal — não sobre Epstein, mas sobre o próprio Tartaglione.
O papel de um juiz e o silêncio dos arquivos oficiais
A nota não foi mencionada no relatório de 128 páginas da inspetoria geral do Departamento de Justiça sobre a morte de Epstein. O juiz Kenneth Karas, que supervisionou o julgamento de Tartaglione, concordou em divulgar o manuscrito a pedido do The New York Times, após o ex-policial falar publicamente sobre ele em uma entrevista.
O juiz disse que a nota estava relacionada a um conflito de interesses entre os advogados de Tartaglione — um deles acabou sendo impedido de atuar no caso. E a advogada nomeada para avaliar esse conflito? Bobbi Sternheim, que mais tarde liderou a defesa de Ghislaine Maxwell, a cúmplice de Epstein.
Em um toque de ironia, a promotora do caso de Tartaglione era Maurene Comey, parte da equipe que acusou Epstein e enfrentou Sternheim no julgamento de Maxwell.
O que ainda está escondido — e por que isso importa para você
A referência a “acusações de 15 anos atrás” no bilhete aponta para a investigação da Flórida contra Epstein, que começou em meados dos anos 2000, sobre abuso sexual de adolescentes em Palm Beach. O caso terminou em um acordo de 2007 que permitiu a Epstein passar apenas um ano na cadeia do condado, mesmo com autoridades acreditando que ele abusou de dezenas de garotas.
Epstein morreu na prisão enquanto aguardava julgamento por acusações mais graves de tráfico sexual em Manhattan. Agora, outros documentos relacionados à suposta nota de suicídio permanecem sob sigilo. Eles podem esclarecer se a nota é autêntica e como ela se encaixa no caso criminal de Tartaglione.
O juiz pediu que promotores e advogados de defesa propusessem redações para esses documentos até a próxima semana. O que será revelado a seguir pode mudar tudo o que você pensa que sabe sobre o caso Epstein. Ou, como o próprio bilhete sugere, talvez o verdadeiro mistério ainda esteja por vir.
Fique de olho: a história ainda não acabou.