A OpenAI, empresa por trás do ChatGPT, registrou um marco significativo em seu modelo de negócios. Em publicação no X nesta quinta-feira, o CEO Sam Altman anunciou que a empresa adicionou mais de US$ 1 bilhão em receita recorrente anual apenas com seu negócio de API (Interface de Programação de Aplicações) no último mês. "As pessoas pensam em nós principalmente como ChatGPT, mas a equipe de API está fazendo um trabalho incrível!", escreveu Altman.
A API da OpenAI permite que outras empresas e desenvolvedores integrem seus modelos de inteligência artificial em produtos próprios, desde softwares internos de produtividade até ferramentas de programação. Este crescimento robusto ocorre enquanto a empresa enfrenta custos massivos com poder de computação e data centers, estimados em compromissos de gastos de cerca de US$ 1,4 trilhão nos próximos anos.
Infraestrutura como motor de crescimento
Os comentários de Altman destacam como o negócio de infraestrutura da OpenAI emerge como um motor-chave de crescimento, diversificando as fontes de receita além das assinaturas de consumidores do ChatGPT. Startups de alto perfil do Vale do Silício dependem dos modelos da OpenAI como infraestrutura central. A Perplexity, por exemplo, utiliza os modelos para partes de seu mecanismo de busca e resposta em IA. A Harvey, uma das startups de tecnologia jurídica que mais cresce, é construída sobre os modelos da OpenAI para auxiliar advogados em pesquisa e redação.
Mudança na estratégia de monetização
As pressões financeiras têm levado a empresa a explorar novos caminhos para monetização. Na semana passada, a OpenAI informou que se prepara para testar anúncios dentro do ChatGPT. Esta é uma mudança notável para uma companhia que antes tratava a publicidade como tabu. Há menos de dois anos, Altman classificou os anúncios como um "último recurso" para o modelo de negócios.
Em maio de 2024, durante um evento na Universidade de Harvard, o CEO afirmou que "anúncios mais IA são de certa forma singularmente inquietantes para mim". No entanto, o tom se tornou mais aberto posteriormente. Em junho, no podcast da OpenAI, Altman disse não ser "totalmente contra" anúncios, embora tenha ressaltado que a abordagem precisaria ser cuidadosa.
Novos modelos de licenciamento em discussão
Além dos anúncios, a empresa explora modelos de licenciamento mais complexos. Nesta segunda-feira, a chefe de finanças da OpenAI, Sarah Friar, levantou a ideia de "licenciar modelos" que permitiriam à empresa compartilhar as vendas subsequentes se o produto de um cliente for bem-sucedido. "Digamos que na descoberta de medicamentos, se licenciarmos nossa tecnologia, você tem um avanço. O medicamento decola e nós recebemos uma parte licenciada de todas as suas vendas", explicou Friar em um episódio de "The OpenAI Podcast".
Essa estratégia representaria uma parceria de risco e recompensa com os clientes da API, alinhando os incentivos da OpenAI com o sucesso dos produtos desenvolvidos em sua plataforma. A movimentação sinaliza uma fase de maturação e busca por sustentabilidade financeira de longo prazo para a empresa que lidera a revolução da inteligência artificial generativa.