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A OpenAI, empresa responsável pelo ChatGPT, está em negociações para levantar até US$ 100 bilhões em uma nova rodada de financiamento, o que seria a maior captação de recursos da história. A informação foi confirmada por fontes próximas ao processo e reportada por veículos como o Business Insider. A gigante da inteligência artificial, que já arrecadou US$ 40 bilhões em março de 2025, também sinaliza planos para um IPO (oferta pública inicial) ainda este ano.

O movimento ocorre em meio a crescentes questionamentos sobre a sustentabilidade financeira da empresa. Analistas do Deutsche Bank projetaram que as perdas da OpenAI totalizarão US$ 143 bilhões entre 2024 e 2029, o que classificaram como "as maiores perdas de uma startup na história". A empresa tem compromissos de gastos que chegam a US$ 1,4 trilhão, principalmente com a construção e operação de data centers para computação em nuvem, recurso essencial para o treinamento de seus modelos de IA.

O dilema dos gastos monumentais

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No centro da estratégia de crescimento da OpenAI está um investimento agressivo em capacidade de processamento, ou "compute". A empresa já assinou acordos para mais de 30 gigawatts de capacidade nos próximos anos – volume que representa quase um terço de todo o consumo estimado do setor no ano passado, segundo a consultoria JLL. Atualmente, a empresa opera com cerca de 1,9 gigawatt.

A CFO Sarah Friar afirmou, em postagem de blog em janeiro, que a escassez de poder computacional tem sido um freio para a monetização dos produtos. "Compute é o recurso mais escasso em IA", escreveu Friar. "Três anos atrás, dependíamos de um único fornecedor. Hoje, trabalhamos com provedores em um ecossistema diversificado. Essa mudança nos dá resiliência e, criticamente, certeza de computação."

Divergências sobre o risco financeiro

Enquanto críticos veem os gastos como insustentáveis, alguns investidores defendem a estratégia. Ethan Choi, da Khosla Ventures, argumentou que, dos US$ 1,4 trilhão em obrigações citadas pelo CEO Sam Altman, cerca de US$ 600 bilhões seriam gastos diretamente pela OpenAI. Os US$ 800 bilhões restantes seriam cobertos por parceiros que constroem os data centers.

Choi estima que, com cerca de 14 gigawatts de capacidade em três anos, a OpenAI poderia gerar até US$ 140 bilhões em receita anual, com base na métrica de que empresas do setor geram cerca de US$ 10 bilhões por gigawatt. "Sempre que há uma grande onda como esta, sempre há detratores, ou pessoas que não veem o quadro geral", disse Choi ao Business Insider.

Cenário competitivo e pressão por lucratividade

A corrida por financiamento ocorre em um mercado cada vez mais disputado. A rival Anthropic, que gastou milhões em anúncios no Super Bowl para zombar da decisão da OpenAI de exibir anúncios no ChatGPT, também estuda um IPO para o final do ano. Além disso, Elon Musk fundiu sua startup de IA, a xAI, com a SpaceX, empresa com expectativa de abrir capital em 2025.

No campo dos produtos, a OpenAI enfrenta a concorrência do Gemini, do Google, que vem ganhando participação no mercado consumidor, e do Claude, da Anthropic, que conquistou desenvolvedores com ferramentas especializadas em código. Andrej Karpathy, cofundador da OpenAI, elogiou publicamente o Claude, dizendo que ele mudou seu fluxo básico de trabalho de programação em duas décadas.

A empresa também tem oscilado entre expansão e retração. Após declarar um "Código Vermelho" interno em dezembro para refocar esforços no ChatGPT, a OpenAI agora avança em áreas como busca, comércio eletrônico, robótica e até mesmo no desenvolvimento de seus próprios chips.

O futuro e o possível IPO

Um IPO daria à OpenAI acesso a um pool de capital muito maior do que o mercado privado, mas também traria escrutínio público trimestral sobre seus prejuízos. Estimativas de valuation para a empresa variam entre US$ 750 bilhões e US$ 830 bilhões. Especialistas alertam que, nesse patamar, a margem para erro é pequena.

"Nesta valuation, muitas coisas precisam dar certo", disse Steve Brotman, da Alpha Partners, que declinou interesse em investir na OpenAI nesta fase. "Use o produto se você gostar dele. Isso não significa que você precise comprar a ação."

O próprio Sam Altman reconheceu a magnitude da aposta em um jantar com jornalistas em agosto: "Alguém vai perder uma quantidade fenomenal de dinheiro. E muitas pessoas vão ganhar uma quantidade fenomenal de dinheiro." Agora, o mercado decidirá.