Presidente da Câmara defende debate amplo sobre fim da jornada 6x1
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Presidente da Câmara defende debate amplo sobre fim da jornada 6x1

Hugo Motta afirma que proposta de redução da escala de trabalho não será votada de forma apressada na Casa.

Redação
Redação

10 de fevereiro de 2026

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou nesta terça-feira (10) que a proposta de fim da jornada de trabalho 6x1 não será votada "a toque de caixa". Em discurso no evento CEO Conference, organizado pelo banco BTG Pactual, o parlamentar reforçou que o tema, uma das prioridades da Casa para 2026, requer discussão responsável com a sociedade e o setor produtivo.

Motta já havia encaminhado na última segunda-feira (9) à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata da redução da escala. O governo federal também elaborou um Projeto de Lei (PL) para unificar as propostas em tramitação sobre o assunto.

Debate com "equilíbrio e responsabilidade"

Em suas redes sociais, Hugo Motta detalhou a estratégia de tramitação. "A tramitação via Proposta de Emenda Constitucional é, ao mesmo tempo, o respeito das prerrogativas da deputada Erika Hilton (PSOL) e do deputado Reginaldo Lemes (PT), que apresentaram seus projetos, e a oportunidade de promover um debate amplo", escreveu.

O presidente da Câmara destacou a necessidade de cautela. "O equilíbrio e a responsabilidade são essenciais numa matéria de tamanho impacto. O mundo evoluiu, as tecnologias se desenvolveram e o Brasil não pode ficar pra trás", afirmou, acrescentando a expectativa de votação para maio.

Impacto econômico e "tempo de qualidade"

Durante o evento, Motta reconheceu os impactos da medida. "Não é uma matéria a ser votada a toque de caixa. Ela tem impacto sobre o custo", disse. O parlamentar defendeu, no entanto, a discussão sobre a qualidade de vida do trabalhador. "Entendemos que o trabalhador precisa discutir, principalmente com o avanço das nossas tecnologias, com a automação, com aquilo tudo que a sociedade hoje se permite viver, no que diz respeito a instrumentos de trabalho, podemos também discutir sobre um tempo de qualidade para o trabalhador".

Cronograma prevê votação em maio

O plano estabelecido por Motta prevê a análise inicial da admissibilidade da PEC pela CCJ. Após essa etapa, será criada uma Comissão Especial para debater o mérito da proposta. "Daremos o prazo para que a CCJ possa discutir a admissibilidade. Depois, vamos criar a comissão especial e estabelecer um prazo para, quem sabe no mês de maio, no mês do trabalhador, possamos ter essa discussão concluída e a matéria sendo votada na Câmara dos Deputados, com toda a responsabilidade que o tema requer", explicou o presidente.

Contexto das propostas em tramitação

A discussão sobre a redução da jornada ganhou novo fôlego no final de 2025, quando a CCJ do Senado aprovou a PEC 148/2015, que propõe o fim da jornada de trabalho de 44 horas semanais. A nova PEC encaminhada por Motta à CCJ da Câmara busca unificar os esforços legislativos em torno do fim da escala 6x1, que estabelece seis dias de trabalho para um de descanso.

A expectativa é que o tema, sensível tanto para trabalhadores quanto para empregadores, seja amplamente debatido nos próximos meses, com a possibilidade de votação no plenário da Câmara durante o mês de maio de 2026.

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