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A OpenAI, empresa criadora do ChatGPT, está nos estágios finais de desenvolvimento de seu primeiro dispositivo de hardware, que deve ser anunciado oficialmente no segundo semestre de 2025. A informação foi confirmada por Chris Lehane, diretor global de assuntos corporativos da empresa, durante um painel no Fórum Econômico Mundial em Davos. O produto final, que relatórios da indústria apontam ser um par de fones de ouvido (earbuds), tem lançamento comercial previsto para 2026.

Em novembro de 2024, o CEO da OpenAI, Sam Altman, deu pistas sobre o dispositivo, descrevendo-o como algo mais "pacífico e calmo" que um smartphone. Relatórios anteriores indicam que a empresa busca criar um aparelho portátil e sem tela, focado em interações por voz com assistentes de IA.

Detalhes técnicos e ambição de mercado

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De acordo com publicações especializadas asiáticas e vazamentos, o dispositivo está em desenvolvimento sob o codinome "Sweet Pea" e terá um design distinto dos fones de ouvido convencionais do mercado. Um diferencial técnico significativo seria o uso de um processador personalizado de 2 nanômetros, capaz de executar tarefas de inteligência artificial localmente, sem necessidade de enviar solicitações para a nuvem.

A meta de produção é ambiciosa: a OpenAI pretende fabricar e distribuir entre 40 e 50 milhões de unidades no primeiro ano de vendas, conforme reportagem de um grande jornal taiwanês. A empresa estuda uma parceria de manufatura com a chinesa Luxshare, mas pode optar pela taiwanesa Foxconn, maior montadora de eletrônicos do mundo.

Estratégia para conquistar o consumidor

A movimentação marca uma guinada estratégica para a OpenAI. Com quase um bilhão de usuários semanais do ChatGPT, a empresa ainda depende de dispositivos e plataformas de terceiros, como smartphones e computadores, para distribuir seu assistente de IA. Com um hardware próprio, a companhia busca maior controle sobre o desenvolvimento, a experiência do usuário e a possibilidade de lançar funcionalidades exclusivas e otimizadas.

No entanto, especialistas apontam que desbancar produtos consolidados, como os AirPods da Apple, será um desafio considerável, especialmente sem uma integração profunda com os sistemas operacionais dominantes (iOS e Android).

Contexto competitivo incerto

O mercado de dispositivos de IA dedicados ainda não tem um caso de sucesso claro. Em 2024, o Humane Pin, um dispositivo assistente em forma de broche, foi vendido para a HP após recepção morna. O Rabbit, outro assistente de IA, segue no mercado após o hype inicial, e o colar-companheiro Friend AI enfrentou forte reação negativa por suas táticas de marketing.

Apesar do cenário, gigantes da tecnologia estão avançando no setor de wearables. Os óculos Ray-Ban da Meta, com IA integrada, têm tido demanda superior à oferta. A Amazon, por sua vez, adquiriu recentemente a startup Bee, que fabrica um gravador de reuniões com IA que pode funcionar como um dispositivo companheiro.

O anúncio oficial da OpenAI, esperado para os próximos meses, deve trazer mais clareza sobre as especificações, preço e estratégia de lançamento do "Sweet Pea", que tentará abrir um novo capítulo na relação dos consumidores com a inteligência artificial.