Publicidade

Um ex-operador de drones das Forças Armadas da Ucrânia compartilhou os detalhes do equipamento que considera vital para a sobrevivência e eficácia no campo de batalha contra a Rússia. Dimko Zhluktenko, agora analista das Forças de Sistemas Não Tripulados, carrega consigo uma combinação de itens adquiridos por financiamento estatal, compras pessoais e vaquinhas online, totalizando cerca de 10 quilos em situações normais.

Zhluktenko, que trabalhava com tecnologia antes da guerra, enfatiza que a maior parte do que carrega foi escolhida por ele, não fornecida pelo governo. "O material que o governo emite às vezes é bom, mas não é o mais adequado", afirmou, explicando que as Forças Armadas em grande parte confiam nos soldados para escolherem o que funciona melhor para eles.

Armamento e proteção personalizados

Publicidade

Entre os itens mais importantes está o colete balístico, que Zhluktenko comprou e selecionou pessoalmente. Ele não usou o equipamento fornecido pelo governo, optando por um sistema da marca ucraniana M-Tac que permite customização extensiva. Ele adicionou componentes como um sistema de distribuição de peso da empresa Balistyka, também ucraniana, para ter mais flexibilidade de movimento.

Para se proteger de estilhaços, ele customizou o colete com placas extras para áreas como estômago, coluna, costelas e quadris, locais onde um torniquete não pode ser facilmente aplicado. Ele também usa óculos com proteção balística e um capacete "muito leve" da Team Wendy, que suporta seus óculos de visão noturna.

Seu armamento principal é um fuzil de design soviético, que ele descreveu como "muito mais velho que eu". Zhluktenko modificou a arma, substituindo componentes internos e o guarda-mão por um da fabricante ucraniana Kpyk, para melhorar a empunhadura. Ele afirma que seu uso primário é abater drones que não podem ser parados de outras formas, já que confrontos diretos com armas de fogo não são a norma nesta guerra.

Tecnologia para detectar e neutralizar drones

Como ex-operador de drones, Zhluktenko carrega equipamentos específicos para essa ameaça. Ele tem um detector de drones, um sistema eletrônico que escaneia frequências de rádio para detectar aeronaves inimigas se aproximando e que às vezes pode mostrar a transmissão de vídeo do drone adversário.

Para neutralizá-los, ele possui uma arma anti-drone MITLA, de fabricação ucraniana, que dispara redes para enroscar nas hélices dos drones. É um produto de uso único, lançado este ano, e ele nunca precisou usá-la. Contra os drones de fibra óptica, resistentes a bloqueios de sinal, que agora infestam o campo de batalha, ele e sua equipe carregam tesouras para cortar os cabos, procedimento que "se tornou parte de nosso procedimento operacional padrão".

Itens de sobrevivência e conforto

O soldado também prioriza itens que mantêm sua eficiência operacional. Ele usa luvas de silicone da Mechanix Wear para melhorar a destreza ao operar controladores de drone, dando "sensibilidade extra" para movimentos precisos. Carrega uma bússola mecânica porque a guerra eletromagnética da Rússia desregula as dos seus iPhone e Garmin.

Para o conforto nos momentos de menor risco, ele tem um par de "crocs táticos" da marca ucraniana M-Tac, que considera "absolutamente essenciais" porque é impossível usar botas de combate o tempo todo. Para o trabalho, calça botas de combate da alemã Lowa, que usa há cerca de quatro anos com palmilhas ortopédicas.

Outros itens em seu kit incluem: óculos de sol para localizar seu próprio drone no céu; um rádio Motorola básico para comunicação; óculos de visão noturna para lançamentos noturnos de drones; uma GoPro no peito para revisar suas ações; álcool em gel da era da Covid; uma multiferramenta com faca e colher; uma fita isolante para consertos rápidos; e uma lanterna com modos vermelho e branco, doada por uma empresa de um amigo.

Equipamento médico e de utilidade

Zhluktenko considera os torniquetes e bandagens que carrega – quatro no momento do vídeo – como parte de seu "material mais importante" em um campo de batalha onde a evacuação médica e o atendimento de trauma podem não estar prontamente disponíveis.

Ele também carrega uma "faca própria" que descreve como velha e "um pouco enferrujada", uma multiferramenta com serra enviada por um seguidor no X, e um mosquetão para carregar equipamento extra. Para consolidar posições capturadas, sua unidade leva zipties e cadeados para trancar portas e identificar a ocupação com seu indicativo de chamada e número de telefone.