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A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) realizou um exercício de combate de inverno no norte da Finlândia, dentro do Círculo Polar Ártico, para treinar tropas aliadas na guerra em condições árticas extremas. O treinamento, observado pela Business Insider em um campo de instrução a 120 quilômetros ao norte do Círculo Polar Ártico, na região da Lapônia, envolveu cerca de 20 soldados e simulou um assalto com esquis e snowmobiles seguido de um tiroteio com lasers e munição de festim.

O exercício faz parte de um curso mensal liderado pela Brigada Jaeger da Finlândia, que treina forças aliadas em sobrevivência e guerra no Ártico. A atividade colocou um pequeno pelotão da OTAN contra uma força "inimiga" três vezes maior, composta por conscritos finlandeses. O major Mikael Aikio, líder da seção ártica da Brigada Jaeger, afirmou que o uso de lasers torna o treinamento mais realista, criando "algum tipo de medo de ser atingido".

Preparação para um cenário estratégico tenso

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A segurança no Ártico tornou-se um ponto focal para a OTAN nos últimos anos, à medida que Rússia e China aumentam suas atividades na região, buscando projetar poder, estabelecer novas rotas comerciais e expandir o acesso a recursos naturais. A aliança tem enfatizado a necessidade de maior investimento na defesa coletiva do Ártico para impedir que Moscou e Pequim ganhem mais influência militar e econômica na área estratégica.

A Finlândia, com cerca de um terço de seu território acima do Círculo Polar Ártico e um longo histórico de combate em clima frio, está bem posicionada para treinar forças ocidentais. O país lidera cursos anuais há mais de uma década, e esse treinamento ganhou nova urgência após sua adesão à OTAN em 2023. O curso observado inclui participantes da Finlândia, Estados Unidos, Reino Unido, França, Itália e Canadá.

As fases do treinamento ártico

O curso é dividido em três fases ao longo de quatro semanas. A primeira abrange sobrevivência em clima frio e treinamento de movimento no inverno. A segunda fase, que inclui o exercício de combate observado, ensina manobras como atacar com esquis e construir trincheiras de neve. A fase final envolve atividade em baixa montanha, acima da linha das árvores.

Na simulação, o pelotão da OTAN, denominado Força Azul, cruzou vários quilômetros de floresta em snowmobiles antes de desmontar e esquiar até o topo de uma pequena colina. Seu objetivo era tomar um território defendido pela Força Vermelha, os conscritos finlandeses. O major Aikio explicou que a neve profunda impossibilita assaltos terrestres tradicionais, tornando os esquis uma ferramenta crucial, enquanto os snowmobiles modernos permitem que os soldados se desloquem mais rápido e com menos esforço.

Desafios do combate em esquis e realismo com lasers

Aprender a esquiar nessas condições pode ser um desafio, especialmente para soldados sem experiência prévia, agravado pelo peso do equipamento. A tenente finlandesa Laura Lähdekorpi, participante do curso, disse que o esqui recreativo a ajudou no equilíbrio. Já o capitão canadense Vincent Lemelin, que cresceu esquiando, destacou que os esquis longos usados na Finlândia, projetados para atuar como raquetes de neve, exigem adaptação.

O assalto simulado começou ao anoitecer. A Força Azul usou drones para coletar dados de alvo, que foram repassados a uma van de controle para simular ataques de artilharia. Os soldados carregavam rifles com munição de festim e transmissores que disparam trilhas a laser. Coletes e alças no capacete detectavam sinais laser recebidos. Um tiro preciso fazia o colete do soldado oponente anunciar que ele havia sido "morto" ou "ferido", obrigando-o a remover o capacete.

"Se lutarmos sem isso, todos podem simplesmente andar direto pela floresta", disse Lähdekorpi. A tecnologia força os soldados a se esconderem, moverem-se discretamente e se comunicarem com mais eficácia. Aikio reconheceu que o sistema a laser não é perfeito, pois neve ou galhos podem bloquear o feixe, mas afirmou que "é muito melhor que nada".

Contexto histórico e importância contínua

A Finlândia compartilha uma fronteira de 1.287 quilômetros com a Rússia e é um dos países de linha de frente da OTAN. A nação tem treinado há muito tempo para a possibilidade de um conflito renovado no Ártico, mesmo antes de ingressar na aliança. Tensões crescentes entre o Ocidente e a Rússia alimentam preocupações de que uma guerra futura possa se desenrolar em campos de batalha congelados.

"Agora estamos na OTAN", disse o major Aikio. "Queremos apoiar nossos aliados para que eles também possam lutar e trabalhar aqui em nossas condições — em nosso terreno." O treinamento visa garantir que tropas de diversos países da aliança estejam preparadas para a possibilidade de um conflito no Ártico, seja contra a Rússia ou contra a China, outro rival com interesses na região.