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Um conjunto de papiros descobertos em 2013 no sítio arqueológico de Wadi el-Jarf, no Egito, trouxe à tona os detalhes operacionais da construção da Grande Pirâmide de Gizé. Os documentos, datados do reinado do faraó Quéops (Khufu), há cerca de 4.500 anos, incluem o diário do inspetor Merer, que supervisionava o transporte de calcário. As informações, reportadas pelo Times of India, desmontam teorias antigas e revelam uma obra de engenharia e gestão extremamente organizada.

O porto de Wadi el-Jarf, localizado a 240 quilômetros de Gizé na costa do Mar Vermelho, era um centro logístico crucial. Ele era usado para escoar cobre do Sinai e, principalmente, o fino calcário branco das pedreiras de Tura, material que revestia a pirâmide. O local foi corretamente identificado como porto apenas em 2008 pelo egiptólogo francês Pierre Tallet.

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Os registros mostram que a construção não era feita por escravizados, mas por trabalhadores especializados e remunerados. Eles recebiam rações de alimentos como pão, carne, cerveja, tâmaras e legumes como forma de pagamento.

Rotina meticulosa de transporte

O diário do inspetor Merer descreve uma operação contínua e militarmente organizada. Ele comandava uma equipe de cerca de 200 homens e registrava cada viagem de barco carregado de blocos. Em uma anotação, ele escreve: "Dia 25: 'O inspetor Merer passou o dia com sua equipe transportando pedras para Tura-Sul; passou a noite em Tura-Sul.'". No dia seguinte, partia rumo a "Akhet-Khufu", o nome original da Grande Pirâmide.

Os barcos navegavam pelo Mar Vermelho e por canais conectados ao rio Nilo até o canteiro de obras. A logística envolvia viagens sequenciais, indicando um fluxo constante de materiais para sustentar a monumental construção.

Supervisão de alto escalão

Os papiros também evidenciam o envolvimento direto da elite governamental. Um dos nomes citados é Ânkhkhâf, meio-irmão do faraó Quéops, descrito como "chefe de todas as obras do rei". Fragmentos indicam que Merer trabalhava sob supervisão de figuras tão importantes, mostrando que o projeto era uma prioridade de Estado.

O sistema de gestão revelado é surpreendentemente avançado para a época. Cada carga, parada e pernoite era meticulosamente anotada, sugerindo um sofisticado controle de recursos, prazos e equipes. Especialistas acreditam que o Egito Antigo já dominava métodos administrativos complexos.

Legado dos Papiros do Mar Vermelho

A descoberta transforma um dos maiores mistérios da humanidade em um relato concreto de capacidade humana. A Grande Pirâmide, uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo, ergueu-se não por meios sobrenaturais, mas através de engenharia precisa, logística elaborada e trabalho organizado.

Os Papiros do Mar Vermelho oferecem a visão mais clara já obtida sobre a construção, substituindo especulações por evidências históricas de um projeto colossal que mobilizou a civilização egípcia em seu auge.