Prefeito e 11 vereadores são presos em operação contra esquema milionário no MA
Operação Tântalo II prende 21 pessoas por desvio de mais de R$ 56 milhões dos cofres públicos de Turilândia.
O prefeito de Turilândia (MA), Paulo Curió (UNIÃO BR), e 11 vereadores da cidade foram presos na manhã deste domingo (4) durante a Operação Tântalo II, deflagrada pelo Ministério Público do Maranhão. A ação investiga um esquema de corrupção que desviou mais de R$ 56 milhões dos cofres públicos do município, que tem cerca de 31 mil habitantes.
Além do chefe do Executivo, também foram presos a vice-prefeita Tânia Mendes (PRD), o controlador-geral do município, Wandson Barros, a ex-vice-prefeita Janaína Lima (PRD) e outros servidores. No total, 21 pessoas foram detidas. O esquema, segundo o MP, contava com a anuência de toda a Câmara Municipal, que recebia pagamentos mensais para não interferir.
Esquema de superfaturamento e lavagem de dinheiro
De acordo com as investigações, o esquema criminoso teve início em 2021. A base das fraudes era um posto de gasolina pertencente ao marido da ex-vice-prefeita Janaína Lima, usado para lavar dinheiro desviado. A prefeitura emitia pagamentos superfaturados por supostos abastecimentos de frota que nunca ocorriam, e os valores retornavam ao prefeito Paulo Curió.
Clementina de Jesus Pinho, funcionária responsável pelas licitações municipais, confessou ao MP que 95% dos contratos da prefeitura eram fraudados por determinação direta do prefeito. A prática permitia o desvio sistemático de recursos.
Vereadores recebiam R$ 2 milhões por mês por silêncio
Para garantir que o esquema funcionasse sem obstáculos, o Executivo municipal pagava cerca de R$ 2 milhões por mês aos 11 vereadores da casa. O valor era uma espécie de "mensalidade" para assegurar que nenhum parlamentar fizesse denúncias ou criasse embaraços às operações fraudulentas.
Mesmo presos em regime domiciliar com tornozeleiras eletrônicas, os vereadores continuam exercendo seus mandatos e legislando. Eles têm ordem judicial para não manter contato entre si ou com os outros investigados. Com a prisão do prefeito, o presidente da Câmara, José Luís Araújo (UNIÃO BR), que também é alvo da operação, assumiu interinamente a prefeitura.
Próximos passos e prejuízo aos cofres
O Ministério Público estima que o prejuízo causado aos cofres públicos de Turilândia já ultrapasse a marca de R$ 56 milhões. Os investigados responderão por crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e violação aos princípios da administração pública.
A operação foi baseada em escutas telefônicas, documentos fiscais e no depoimento de colaboradores. As investigações continuam para apurar a extensão total do esquema e identificar outros possíveis envolvidos.
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