O presidente do conselho da OpenAI, Bret Taylor, afirmou que o "vibe coding" – a criação de software por meio de prompts de linguagem natural – se tornará algo comum, mas representa apenas uma parte de uma transformação muito maior no setor. Em entrevista ao "Big Technology Podcast", Taylor argumentou que o foco em desenvolver o software atual mais rapidamente perde o ponto principal: a substituição desse software por uma nova estrutura baseada em agentes de inteligência artificial.
Taylor, ex-co-CEO da Salesforce e uma das vozes mais influentes do Vale do Silício, destacou que a pergunta relevante não é a velocidade para "vibecodar" uma aplicação, mas sim quem construirá os agentes de IA que operarão no futuro. "Serão o futuro do software", declarou, prevendo um cenário onde tarefas serão delegadas a agentes que atuarão diretamente em bancos de dados, em vez de dashboards e formulários em navegadores.
Custo da manutenção ainda é desafio central
Embora a IA tenha reduzido drasticamente o custo de criação de software, Taylor apontou que os problemas complexos de manutenção, segurança e confiabilidade permanecem. "É por isso que a maioria das pessoas preferiria comprar uma solução pronta", explicou. "Você quer amortizar o custo de manter o software entre milhares de clientes."
Essa visão é compartilhada por outros líderes do setor. O CEO do Google, Sundar Pichai, afirmou em novembro, em um podcast da "Google for Developers", que o vibe coding torna a programação "muito mais agradável" e permite que até usuários não técnicos criem aplicativos simples. Dados da Alphabet revelam que a IA já gera mais de 30% do novo código do Google, um aumento em relação aos 25% de outubro de 2024.
Limitações da codificação por IA em projetos críticos
No entanto, especialistas alertam para os limites da tecnologia. O próprio Pichai observou que não trabalharia com grandes bases de código críticas, onde a segurança é primordial, usando apenas essas ferramentas. Boris Cherny, engenheiro por trás do Claude Code da Anthropic, foi mais direto: em dezembro, no "The Peterman Podcast", ele afirmou que o vibe coding funciona melhor para protótipos ou código descartável, não para software no núcleo de um negócio.
"Às vezes você quer código sustentável. Às vezes você quer ser muito cuidadoso com cada linha", disse Cherny, reforçando a distinção entre agilidade na prototipagem e a robustez necessária para sistemas de produção.
A análise de Taylor sugere que a indústria está em uma encruzilhada. Enquanto ferramentas de vibe coding democratizam a criação inicial, a próxima onda de disrupção virá da redefinição arquitetônica do software em si, com agentes autônomos assumindo funções que hoje dependem de aplicativos e interfaces manuais. A corrida agora é para definir quem construirá e controlará esses agentes.