Profissionais estabelecidos estão cada vez mais buscando períodos prolongados de folga, conhecidos como "gap year adulto", para resetar suas vidas e carreiras. A prática, tradicionalmente associada a jovens antes da faculdade, ganha adeptos entre pessoas com trajetórias consolidadas que buscam evitar o esgotamento e redefinir seus caminhos profissionais.
Dados da Sociedade para Gestão de Recursos Humanos (SHRM) mostram que, embora apenas 7% das empresas nos EUA ofereçam licenças remuneradas (sabbaticals) em 2023, o benefício é a segunda maior prioridade para os trabalhadores, atrás apenas dos planos de saúde. A tendência indica uma mudança na percepção sobre pausas na carreira.
Benefícios comprovados para indivíduos e empresas
Uma pesquisa publicada na Academia de Gestão em 2022, que entrevistou 50 profissionais que fizeram pausas prolongadas, constatou que todos retornaram como líderes melhores. "As pessoas relatam melhor saúde mental e física, maior confiança e um maior senso de propósito após uma pausa prolongada", afirmou ao Business Insider David Burkus, psicólogo organizacional e autor que estuda o tema desde 2015.
Burkus também destaca vantagens para os empregadores: as equipes se capacitam mutuamente, compartilham conhecimento e se tornam menos dependentes de poucas pessoas "indispensáveis". DJ DiDonna, palestrante sênior da Harvard Business School e coautor do estudo, disse que todos os entrevistados desejaram ter feito a pausa antes.
Timing e motivações para a pausa
O caso de Alexandra, ex-editora-chefe de uma revista que quase pediu demissão aos 30 anos, ilustra a dinâmica. Sua chefe a incentivou a tirar uma licença, que começou com um retiro de ioga na Índia e terminou com aventuras na Indonésia. Dois meses foram suficientes para um reset, e no ano seguinte ela assumiu o cargo da própria chefe, liderando a equipe que quase deixou para trás.
DiDonna aponta que os melhores momentos para um sabbatical muitas vezes coincidem com transições naturais da vida, como lua de mel, a saída dos filhos de casa (ninho vazio) ou a fase "crepuscular" da carreira, antes da aposentadoria.
Riscos financeiros versus ganhos pessoais
As pausas prolongadas podem acarretar custos de longo prazo, como rendimentos mais baixos, poupança interrompida e juros compostos mais lentos. No entanto, para um número crescente de profissionais, os benefícios superam os riscos. A experiência é vista não como um desvio de carreira, mas como uma oportunidade de redefinição.
A coleção de relatos compilada pelo Business Insider reúne pessoas que fizeram essa pausa em diferentes idades, por motivos diversos e por períodos variados, reforçando que não há um modelo único, mas um objetivo comum: recuperar o fôlego e o propósito.