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Coalizões de ativistas, sindicatos e celebridades como Hannah Einbinder e Pedro Pascal estão promovendo um "apagão" econômico nacional nos Estados Unidos para esta sexta-feira. A ação, divulgada nas redes sociais, pede que as pessoas não trabalhem, não frequentem escolas e não façam compras, em protesto contra os recentes tiroteios fatais envolvendo agentes da Imigração e Controle de Alfândega (ICE) em Minnesota.

O protesto busca repetir em escala nacional o ato regional realizado no estado em 23 de janeiro. No entanto, especialistas questionam o impacto econômico real de mobilizações pontuais como esta, que têm como principal objetivo sinalizar insatisfação pública.

Contexto de protestos econômicos

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Um boicote semelhante ocorreu em 28 de fevereiro do ano passado, quando manifestantes organizaram um "apagão" contra a corrupção corporativa em grandes varejistas. O impacto nas vendas foi limitado, com uma queda de 5,4% registrada naquele dia, de acordo com dados da empresa de análise Numerator. Apesar do número modesto, o estudo mostrou uma mudança perceptível nos hábitos de gastos de consumidores das comunidades negra e LGBTQIA+.

“Esses eventos pontuais servem mais para sinalizar frustração do que para destruir os resultados financeiros das empresas”, analisam especialistas. Paralelamente, alguns resultados políticos já foram observados: a senadora republicana do Maine, Susan Collins, anunciou que a ICE suspendeu "atividades intensificadas" em seu estado.

Target no epicentro do debate

A rede de varejo Target, com sede em Minneapolis – cidade onde ocorreram os tiroteios –, encontra-se no centro da pressão. A empresa tem histórico de navegar por períodos de agitação civil na região, mas agora enfrenta o desafio adicional de uma transição na liderança.

Michael Fiddelke assume como novo CEO da Target neste fim de semana, em um momento de tensão elevada. Centenas de funcionários da empresa já assinaram uma carta pedindo que a companhia proíba a presença de agentes da ICE em suas lojas. Em mensagem em vídeo na segunda-feira, Fiddelke abordou a situação, mas não mencionou nominalmente o ex-presidente Donald Trump ou a ICE.

Desafios internos da varejista

Os problemas de Fiddelke vão além da crise atual. A Target enfrenta 10 trimestres com vendas comparáveis estagnadas ou em declínio nos últimos 12, indicando uma perda de relevância para o consumidor. Diferente de outras corporações, a empresa não buscou talentos externos para uma renovação: Fiddelke é um "homem da casa", que começou como estagiário de finanças na Target.

O ex-CEO Brian Cornell permanece como presidente executivo do conselho. A profunda familiaridade de Fiddelke com a empresa pode ser uma força, mas analistas ponderam que, diante da necessidade de recuperar terreno, mudanças drásticas em relação ao que era a norma podem ser o melhor caminho.