Um levantamento realizado pela empresa de serviços financeiros TransUnion revelou que 45% dos trabalhadores de aplicativos de entrega e transporte por aplicativo já alugaram ou venderam o acesso à sua conta em plataformas de trabalho sob demanda. A pesquisa, conduzida em agosto com 1.012 adultos que são, foram ou estão prestes a se tornar trabalhadores da chamada "gig economy", aponta uma prática que viola os termos de uso das principais empresas do setor.
De acordo com a pesquisa, 25% dos entrevistados afirmaram ter alugado sua conta, enquanto 20% disseram ter vendido o acesso a outro usuário. A prática representa um risco de segurança, uma vez que as plataformas realizam verificações de identidade e antecedentes no momento do cadastro, e a pessoa que efetivamente realiza o serviço pode não ter sido aprovada nesses critérios.
Motivações e riscos da prática
Colleen Thiry, diretora da área de economia sob demanda da TransUnion, disse ao Business Insider que a empresa investigou o tema após identificar um aumento em atividades suspeitas, como contas longamente associadas a smartphones Android aparecendo repentinamente em iPhones. "Nossos dados mostravam alguns sinais de trabalhadores vendendo suas contas", afirmou Thiry.
Entre as motivações para comprar ou alugar uma conta estão a impossibilidade de passar na verificação de antecedentes, a falta de histórico de direção suficiente ou, em algumas regiões dos EUA, a existência de longas listas de espera para ingressar em determinados aplicativos. Em redes sociais como Facebook e Telegram, anúncios oferecendo contas ou "bots" que prometem vantagens na disputa por entregas são comuns.
Resposta das plataformas e outros problemas
Grandes plataformas como Uber, DoorDash e Walmart Spark afirmam não permitir o compartilhamento de contas e têm reforçado as verificações. Um porta-voz da Uber afirmou que a empresa tem "tolerância zero para reclamações confirmadas dessa natureza" e que os infratores arriscam "perder o acesso à plataforma permanentemente". Em 2023, a Uber exigiu que todos os motoristas e entregadores revalidassem sua identidade.
A DoorDash, por sua vez, confirmou que remove trabalhadores de seu aplicativo por compartilhamento de conta e, em 2024, passou a exigir verificações de identidade mais frequentes para alguns entregadores. O Walmart também tomou medidas adicionais de verificação após relatos, em 2023, de que alguns motoristas do Spark se apresentavam com nomes que não correspondiam à sua identidade real.
Outras fraudes e impacto no setor
A pesquisa da TransUnion também identificou outras práticas problemáticas. Quarenta e três por cento dos trabalhadores pesquisados relataram já terem sido vítimas de "tip-baiting", quando um cliente oferece uma gorjeta alta para garantir um serviço, mas a reduz ou zera após a conclusão da entrega ou corrida.
Para Thiry, a fraude representa um risco para as empresas, pois tanto trabalhadores quanto clientes precisam de segurança. "Ambos os lados dessa transação precisam se sentir seguros", destacou a executiva. A análise da TransUnion sobre a pesquisa aponta que práticas como o "tip-baiting" podem ser desmotivadoras para os trabalhadores da economia sob demanda.