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Romi Gonen, de 25 anos, libertada após 470 dias como refém do Hamas, revelou publicamente os estupros sistemáticos que sofreu durante os primeiros 16 dias de cativeiro em Gaza. Em entrevista a um programa de TV israelense de grande audiência na semana passada, a jovem descreveu como foi violentada por quatro homens diferentes, que se apresentavam como seus guardiões, enquanto estava detida em apartamentos dentro do enclave palestino.

O relato de Gonen corrobora evidências crescentes de que a violência sexual foi usada como arma de guerra pelo Hamas durante o ataque de 7 de outubro de 2023 e posteriormente contra os reféns. Folhas manuscritas encontradas em terroristas mortos continham traduções de frases como "abaixe as calças" e "abra as pernas", indicando uma prática premeditada.

Captura e primeiros abusos

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Romi Gonen foi sequestrada após tentar fugir do Festival Nova, onde 364 pessoas foram assassinadas e 44 sequestradas. Ela e sua amiga Gaya Halifa, que morreu no ataque, foram resgatadas por amigos, mas o carro foi alvejado. Gonen foi levada para o hospital Shifa, posteriormente revelado como quartel-general do Hamas, onde foi sedada e teve seu braço ferido costurado ao corpo.

Nos 16 dias seguintes, foi mantida em apartamentos sob guarda de quatro homens. Um deles, que se apresentava como "enfermeiro", trocava suas bandagens diariamente. Todos os quatro a estupraram em momentos distintos, ameaçando-a de morte caso revelasse os abusos. "Se contar a qualquer um sobre isso, eu mato você", disse um deles após violentá-la.

Padrão sistemático e silêncio internacional

A violência descrita por Gonen não é um caso isolado. Outras reféns libertadas, como Amit Soussana, também relataram estupros. A prática foi confirmada por depoimentos de socorristas, sobreviventes e profissionais de saúde que atenderam às vítimas do ataque de 7 de outubro.

Apesar das evidências, a comunidade internacional respondeu com silêncio ou negligência. Organizações como a ONU, a Cruz Vermelha, a Anistia Internacional e o UNICEF evitaram discussões substanciais sobre o tema por mais de um ano. A mídia internacional também, com raras exceções, desviou o olhar, como ocorreu em uma entrevista com a irmã de Romi, Yarden, encerrada quando o assunto foi mencionado.

Consequências e contexto futuro

Hoje, Romi Gonen é vista como uma heroína por sua coragem ao relatar os abusos. Seu braço, ferido durante a captura, ainda não recuperou totalmente os movimentos, apesar de múltiplas cirurgias e fisioterapia.

Seu depoimento é parte de um padrão mais amplo de testemunhos que devem continuar surgindo. Atualmente, 58 reféns ainda permanecem em cativeiro em Gaza, sendo que 35 estariam mortos, segundo estimativas israelenses. A luta por sua libertação e por reconhecimento internacional da violência sexual como arma de guerra continua.