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A Ryanair, companhia aérea irlandesa de baixo custo, anunciou que entregará pessoalmente um bilhete aéreo gratuito no escritório do X (antigo Twitter) em Dublin para o bilionário Elon Musk. A medida é a mais recente de uma troca pública de insultos entre o CEO da Ryanair, Michael O'Leary, e o proprietário da rede social e da SpaceX, que se estende há uma semana.

O anúncio foi feito por O'Leary em uma coletiva de imprensa na quarta-feira (15). A briga começou após declarações do executivo da aviação sobre os custos de implementar o sistema de internet Starlink, da SpaceX, em suas aeronaves.

Promoção "Idiota" e ofensas mútuas

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Aproveitando a polêmica para gerar publicidade, a Ryanair lançou uma promoção intitulada "Big 'Idiot' Sale" (Grande Promoção do Idiota), com 100 mil passagens a partir de £16.99 (cerca de R$ 115). "Incluí a mim mesmo e a ele nesta venda de assentos 'Big Idiot'", disse O'Leary, referindo-se a um anúncio que mostra os dois brigando.

Após dias de insultos, Musk publicou uma enquete no X perguntando se deveria comprar a Ryanair e nomear um CEO chamado "Ryan". Cerca de 75% dos aproximadamente 950 mil votantes apoiaram a ideia. No entanto, regras da União Europeia determinam que companhias aéreas do bloco devem ser pelo menos 50% de propriedade de cidadãos europeus.

O'Leary respondeu às comparações com um chimpanês feitas por Musk, brincando: "Acho um tanto injusto para a comunidade dos chimpanzés. Mas, enquanto isso aumentar as reservas da Ryanair em janeiro, fevereiro e março, é tudo diversão e entretenimento".

O cerne da disputa: custos do Wi-Fi a bordo

A discussão técnica começou quando O'Leary afirmou à Reuters que não instalaria o Starlink em seus aviões. Ele detalhou à rádio irlandesa Newstalk que o sistema custaria à empresa até US$ 250 milhões, pois a adição do terminal afetaria a aerodinâmica e aumentaria o consumo de combustível em 2%.

Um executivo da SpaceX rebateu em uma publicação no X, afirmando que o aumento no arrasto aerodinâmico seria de apenas 0,2%. Como uma empresa de baixo custo, a Ryanair tem como modelo de negócio manter as despesas no mínimo absoluto para oferecer tarifas reduzidas, obtendo lucro com alta rotatividade de aeronaves e venda de extras.

Futuras negociações e contexto

Apesar da briga, O'Leary classificou o Starlink como um "sistema terrificante" e afirmou que a Ryanair mantém discussões com a SpaceX e outros provedores, como a Amazon. No entanto, deixou claro que só adotaria o Wi-Fi a bordo "de uma forma que reduza nossos custos".

O CEO da Ryanair é conhecido por declarações provocativas para promover sua marca. "É muito bom para nossas reservas", admitiu O'Leary. "Nós amamos essas brigas de relações públicas que impulsionam as reservas na Ryanair." A companhia opera apenas rotas de curta distância, onde o executivo acredita que o interesse dos passageiros por internet durante o voo seria limitado.