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O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou neste domingo que o presidente Donald Trump busca anexar a Groenlândia como uma estratégia geopolítica para evitar um conflito armado. Em entrevista ao programa "Meet the Press", da NBC News, Bessent disse que a medida não se trata de uma simples tomada de território, mas de uma decisão estratégica.

Trump intensificou a retórica no sábado, anunciando em sua rede social Truth Social que os EUA imporiam novas tarifas à Dinamarca – que controla a Groenlândia – e a outros países europeus, a menos que entregassem o território. "A emergência nacional é evitar uma emergência nacional", declarou Bessent à apresentadora Kristen Welker.

Estratégia para prevenir conflito

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Bessent explicou que a localização da Groenlândia no Ártico a torna um ponto estratégico crucial, atuando como um amortecedor entre a América do Norte e a Rússia. "Esta é uma decisão geopolítica, e ele [Trump] é capaz de usar o poder econômico dos EUA para evitar uma guerra quente, então por que não faríamos isso?", questionou o secretário do Tesouro.

Parte da motivação de Trump, segundo Bessent, seria abrigar seu projeto de defesa antimíssil Golden Dome no território groenlandês. No entanto, o projeto ainda está em estágios iniciais de planejamento, e a Dinamarca nunca disse que não permitiria tal infraestrutura em seu território. Os Estados Unidos já mantêm uma base militar na Groenlândia, a Base Aérea de Thule.

Reação internacional e ameaça de tarifas

A possibilidade de os EUA forçarem a mão da Europa por meio de sanções econômicas ou mesmo tomarem a Groenlândia pela força tem causado tensão entre os aliados transatlânticos. Líderes da União Europeia realizaram uma reunião de emergência no domingo, na qual classificaram a ameaça tarifária de Trump como chantagem econômica.

Em comunicado conjunto divulgado no domingo, os oito países da UE visados por Trump afirmaram: "Ameaças tarifárias minam as relações transatlânticas e arriscam uma perigosa espiral descendente". A ação americana ocorre em um contexto em que os EUA, recentemente, realizaram uma incursão surpresa na Venezuela que resultou na captura de seu líder, Nicolás Maduro, permitindo que o país avançasse na abertura da indústria petrolífera venezuelana.

Contexto e próximos passos

A Groenlândia, a maior ilha do mundo, é um território autônomo dinamarquês rico em minerais essenciais para a fabricação de tecnologias futuras. A insistência de Trump no tema reflete uma visão de política externa que prioriza o poderio econômico e militar americano como ferramentas de dissuasão. "O presidente está tentando evitar um conflito", resumiu Bessent.

As declarações do secretário do Tesouro ocorrem em um momento de crescente competição geopolítica no Ártico, onde Rússia, China e países da OTAN têm aumentado sua presença. A resposta formal da Dinamarca e da União Europeia às ameaças tarifárias e à proposta de anexação é aguardada para os próximos dias.