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A startup Space Beyond, fundada pelo ex-engenheiro da Blue Origin Ryan Mitchell, anunciou um programa para enviar as cinzas de até mil pessoas ao espaço em 2027 por um preço acessível. O serviço mais barato custará US$ 249 (cerca de R$ 1.250), valor significativamente menor do que o cobrado por empresas do setor funerário espacial.

A empresa firmou um acordo com a Arrow Science & Technology para integrar um CubeSat — um tipo de satélite miniaturizado em forma de cubo — em uma missão de compartilhamento de carga (rideshare) do foguete Falcon 9, da SpaceX. O lançamento está programado para outubro de 2027.

Ideia surgiu em cerimônia familiar

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Ryan Mitchell contou à TechCrunch que a ideia para a Space Beyond surgiu após ele participar de uma cerimônia de dispersão de cinzas de um familiar. "Quando acabou, ficamos meio que 'e agora?'. O momento havia passado", disse Mitchell. "Eu pensei: 'Como eu poderia fazer isso melhor?'".

Antes de fundar a startup, Mitchell trabalhou como engenheiro de manufatura no programa do ônibus espacial da NASA e passou quase uma década na Blue Origin, empresa espacial de Jeff Bezos.

Modelo de negócio acessível e limitações

O baixo custo é viabilizado pelo modelo de compartilhamento de lançamento, que democratizou o acesso ao espaço, e pelo fato de a empresa ser autofinanciada (bootstrapped) e não buscar grandes retornos para investidores. "Já me disseram que não estou cobrando o suficiente por este serviço", afirmou Mitchell, criticando a indústria funerária tradicional.

Entretanto, o formato do CubeSat impõe restrições. Cada cliente poderá enviar apenas cerca de um grama de cinzas para o espaço. Além disso, o satélite permanecerá em órbita por aproximadamente cinco anos, não sendo um memorial eterno.

A órbita planejada é do tipo sol-síncrona, a uma altitude elevada de cerca de 550 km, permitindo que o CubeSat sobrevoe todo o globo. Com serviços modernos de rastreamento, os clientes poderão saber quando o satélite estiver no céu noturno sobre suas casas.

Fim simbólico e segurança

Após cinco anos, o CubeSat de alumínio e as cinzas reentrarão na atmosfera terrestre, desintegrando-se — um final que Mitchell considera simbolicamente adequado. A empresa não fará a dispersão física das cinzas no espaço, para evitar a criação de uma nuvem de detritos que poderia ameaçar outras espaçonaves.

Mitchell deixou a Blue Origin no ano passado e, entre várias ideias para o futuro, incluindo a possibilidade de se tornar um bartender, foi o conceito da Space Beyond que mais o cativou. "Minha esposa disse: 'Eu poderia ter te dito isso semanas atrás. Você não para de falar sobre isso'", revelou.