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Três técnicos de enfermagem foram presos sob suspeita de envolvimento na morte de três pacientes internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta, em Taguatinga, no Distrito Federal. As prisões ocorreram entre os dias 12 e 15 de janeiro, e os crimes teriam sido cometidos em 17 de novembro e 1º de dezembro de 2025.

De acordo com a Polícia Civil, o técnico Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, de 24 anos, é apontado como o principal executor. Ele teria aplicado doses elevadas de um medicamento diretamente na veia das vítimas, sem a devida diluição, substância que pode provocar parada cardíaca. Em um dos casos, também é suspeito de ter injetado desinfetante na veia de um paciente.

Esquema criminoso e participação das colegas

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Segundo as investigações, Marcos Vinícius utilizava o login de um médico, já salvo no sistema do hospital, para emitir prescrições irregulares. Após retirar o medicamento na farmácia, ele escondia o material no jaleco e aplicava nos pacientes. Para disfarçar, realizava manobras de reanimação, simulando tentativas de salvamento.

As técnicas de enfermagem Amanda Rodrigues de Souza, de 28 anos, e Marcela Camilly Alves da Silva, de 22 anos, teriam dado apoio ao crime. Conforme a polícia, elas faziam vigília na porta da UTI para alertar sobre a aproximação de outros profissionais e impedir a entrada de terceiros durante as aplicações.

O delegado responsável pelo caso, Wisllei Salomão, afirmou que a conduta de ambas foi negligente. “Elas estavam nos quartos, nos leitos dessas pessoas. As imagens mostram que ficavam observando a porta para impedir a entrada de terceiros. Elas tinham responsabilidade sobre os pacientes e não tomaram qualquer iniciativa para impedir os fatos”, disse.

Vítimas e andamento do caso

As vítimas foram identificadas como Miranilde Pereira da Silva, 75 anos, professora aposentada; João Clemente Pereira, 63 anos, servidor público; e Marcos Raymundo Fernandes Moreira, 33 anos, também servidor público.

Os três suspeitos vão responder por homicídio qualificado, crime cuja pena pode variar de 12 a 30 anos de prisão. A Polícia Civil também cumpriu três mandados de busca e apreensão em Taguatinga, Brazlândia e Águas Lindas de Goiás.

Reações e investigações em andamento

O Hospital Anchieta informou que iniciou uma apuração interna após perceber a piora repentina dos pacientes e identificar substâncias incompatíveis no sangue das vítimas. Os três funcionários foram demitidos e o caso foi comunicado à polícia.

Em nota, a instituição afirmou manter compromisso com a segurança do paciente e que os fatos decorreram de “conduta deliberada de ex-funcionários, sem relação com os fluxos assistenciais”. A defesa de Marcos Vinícius, por meio de advogado, afirmou que as informações veiculadas são “narrativas especulativas” e que o caso ainda está sob investigação.

A Polícia Civil informou que a investigação não está encerrada e irá apurar se há outros casos suspeitos de mortes com características semelhantes no Hospital Anchieta. Os investigadores também vão analisar unidades de saúde onde os suspeitos trabalharam anteriormente.