Uma tempestade geomagnética de nÃvel G4, a segunda categoria mais alta, atingiu a Terra na noite de segunda-feira (19), provocando a exibição de auroras boreais em regiões de baixa latitude na Europa e nos Estados Unidos. O fenômeno, considerado "muito raro" pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA), foi causado por uma grande ejeção de massa coronal que partiu do Sol no domingo (18) e percorreu a distância até nosso planeta em cerca de 25 horas – um trajeto que normalmente levaria de três a quatro dias.
Segundo Shawn Dahl, coordenador de serviços do Centro de Previsão de Clima Espacial da NOAA, esta foi a tempestade de radiação solar mais intensa a atingir a Terra desde 2003. A perturbação no campo magnético terrestre ocorreu à s 19h38 do horário de Greenwich (16h38 em BrasÃlia), criando condições para que as luzes do norte fossem avistadas muito além de suas localizações habituais.
Fenômeno atinge Europa e América do Norte
Na Europa, o Serviço Meteorológico Alemão (DWD) informou que as auroras iluminaram o céu em várias regiões da Alemanha. A intensidade do evento foi tamanha que as cores caracterÃsticas – tons de verde, vermelho e púrpura – foram visÃveis até mesmo nos Alpes, uma cadeia montanhosa com latitude relativamente baixa para a ocorrência do fenômeno. Relatos também indicaram avistamentos na SuÃça e na Ucrânia.
Do outro lado do Atlântico, a NOAA emitiu alertas de que moradores dos estados do norte e centro dos Estados Unidos continentais poderiam observar a aurora, desde que as condições noturnas e meteorológicas fossem favoráveis. A agência destacou que as luzes chegaram a ser avistadas em locais tão ao sul quanto o estado do Alabama e o norte da Califórnia, uma ocorrência extraordinária.
Riscos e caracterÃsticas da tempestade solar
Tempestades geomagnéticas desta magnitude representam riscos potenciais para infraestruturas crÃticas. De acordo com especialistas, elas podem afetar operações de satélites, representar perigos para objetos no espaço e causar problemas de voltagem em redes elétricas terrestres. A classificação G4 indica uma tempestade severa, capaz de provocar flutuações generalizadas no sistema de energia e afetar comunicações por rádio em alta frequência.
A plataforma de astronomia Spaceweather detalhou a velocidade incomum da nuvem de partÃculas carregadas. A ejeção de massa coronal que originou o evento viajou a uma velocidade excepcional, completando o percurso Sol-Terra em pouco mais de um dia, o que contribuiu para a intensidade do impacto com o campo magnético terrestre.
Contexto e monitoramento contÃnuo
O Centro de Previsão de Clima Espacial da NOAA monitora constantemente a atividade solar e emitiu alertas antecipados sobre a possÃvel chegada desta tempestade para segunda ou terça-feira. A agência mantém vigilância sobre novos eventos solares, uma vez que o Sol está em uma fase de aumento de atividade dentro de seu ciclo de aproximadamente 11 anos.
Enquanto as auroras boreais oferecem um espetáculo visual impressionante, cientistas enfatizam a importância do monitoramento contÃnuo desses fenômenos espaciais devido aos seus potenciais impactos tecnológicos. A última tempestade de magnitude comparável, em 2003, causou blecautes menores e perturbou comunicações e sistemas de navegação.