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A Dinamarca e aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) intensificaram em 2026 a presença militar e os exercícios de defesa na Groenlândia. A mobilização é uma resposta direta às recentes declarações do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que defendeu publicamente a anexação do território autônomo dinamarquês, questionando a legitimidade do controle de Copenhague.

A Groenlândia é considerada um território de importância estratégica crucial, situado entre a América do Norte, a Europa e a Rússia. A região ártica tornou-se alvo de interesses internacionais devido ao potencial de novas rotas de navegação e à vasta quantidade de recursos minerais ainda inexplorados.

Operação conjunta em condições extremas

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A mobilização militar ocorre por meio de operações terrestres, navais e aéreas coordenadas pelo Comando Ártico Conjunto. Participam dos exercícios, além da Dinamarca, países como França, Alemanha, Suécia e Noruega, atuando em condições extremas de frio e isolamento.

O Reino da Dinamarca mantém 16.000 militares ativos e 44.000 reservistas prontos para mobilização, com um orçamento de defesa de US$ 5,47 bilhões (cerca de R$ 29,3 bilhões). Recentemente, um acordo político liberou 16 bilhões de coroas dinamarquesas (R$ 13,3 bilhões) para a modernização das forças armadas, com o objetivo de que os gastos militares alcancem 2% do Produto Interno Bruto (PIB) até 2030.

Modernização das forças armadas dinamarquesas

O exército dinamarquês, com cerca de 8.000 soldados focados na defesa terrestre, está sendo equipado com tanques Leopard 2A5 e veículos de combate CV90, substituindo modelos antigos. A artilharia emprega sistemas autopropulsados CAESAR, considerados eficientes para o terreno ártico.

A Marinha Real Dinamarquesa, com 3.000 marinheiros, protege as águas da região com fragatas da classe Iver Huitfeldt e navios de apoio da classe Absalon. Para patrulhas em mares gelados, são usados navios da classe Thetis, que receberão o reforço de duas novas embarcações árticas.

“A segurança no Ártico é de importância crucial para o Reino da Dinamarca e nossos aliados do Ártico, e é, portanto, importante que nós, em estreita cooperação com os aliados, fortaleçamos ainda mais nossa capacidade de operar na região”, destacou o ministro da Defesa dinamarquês, Troels Lund Poulsen.

Atualização da defesa aérea e resposta política

A Força Aérea dinamarquesa, com seus 3.000 militares, passa por uma significativa atualização. Os caças F-16 estão sendo substituídos pelos modernos F-35A Lightning II, com tecnologia de baixa detecção por radar. As aeronaves realizam treinamentos conjuntos com aviões de reabastecimento da França, simulando voos de longa distância em climas severos.

A tensão política aumentou substancialmente com as declarações de Trump. O ex-presidente afirmou que “a Groenlândia está coberta de navios russos e chineses por toda parte” e que “precisamos da Groenlândia para a segurança nacional”. Ele também citou a Doutrina Monroe, apelidando-a de "Doutrina Don-roe".

Em resposta, a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, foi enfática ao declarar que o governo estadunidense “não tem direito de anexar” o território. A posição foi endossada pela ministra das Relações Exteriores da Groenlândia, Vivian Motzfeldt, que afirmou: “Como parte da aliança da OTAN, é uma prioridade central para o Governo da Groenlândia que a defesa e a segurança na Groenlândia e arredores sejam fortalecidas”.