Uma testemunha descreveu ao júri um estupro coletivo ocorrido em uma festa nos Hamptons em 2009, supostamente envolvendo os irmãos Tal, Oren e Alon Alexander. O depoimento marcante ocorreu na terceira semana do julgamento por tráfico sexual dos ex-corretores de imóveis de luxo em Manhattan.
Avishan Bodjnoud, executiva de gestão de informação da ONU, afirmou que viu Tal Alexander e "um dos gêmeos" – não sabendo dizer se era Alon ou Oren – entre os homens que agrediam sexualmente uma mulher intoxicada em uma jacuzzi. "Ela estava pedindo, de novo e de novo e de novo, para que parassem", relatou Bodjnoud sobre a vítima, que estaria "gritando" por ajuda.
Cena ocorreu em plena festa de fim de semana
O incidente aconteceu no sábado à noite do fim de semana do Memorial Day, em 2009, em uma casa alugada em Southampton. Segundo a testemunha, a agressão ocorreu à vista de outros participantes da festa, que estavam em uma piscina. "Parecia que ninguém estava tomando uma atitude", disse Bodjnoud, acrescentando que pediu ajuda às pessoas ao redor, mas não obteve resposta. "Não havia aliados lá para ajudar."
Com medo e se sentindo sozinha em sua indignação, Bodjnoud não chamou a polícia. Em vez disso, fugiu da festa de táxi, mas não antes de escrever "Estupradores" e "Vocês precisam se desculpar" com delineador na porta da frente e na parede da casa. Fotografias desse grafite, recuperadas do disco rígido de Tal Alexander, foram apresentadas ao tribunal. "Eu esperava que um dia isso pudesse ser usado como evidência", declarou a testemunha, emocionada ao ver as imagens.
Segunda testemunha corrobora versão
Uma segunda testemunha do suposto estupro no jacuzzi, identificada pelo pseudônimo "Isa Brooks", depôs na quinta e sexta-feira. Brooks disse aos jurados que viu "uma garota, acredito, de biquíni verde com um monte de caras em cima dela". Ela afirmou ter ouvido outra mulher – que, como ela, estava dentro de casa olhando para o quintal – gritar: "Eu trabalho para a ONU e sei o que vocês estão fazendo!". Oren Alexander, que estava do lado de fora, teria batido a porta na cara dessa mulher, segundo Brooks.
Brooks foi chamada principalmente para testemunhar sobre sua própria agressão alegada, que teria ocorrido mais cedo no mesmo sábado, quando ela estava a dias de completar 17 anos. Ela descreveu ter lutado e perdido a consciência intermitentemente enquanto Tal Alexander, Alon Alexander – a quem descreveu como o "gêmeo mais quieto" – e outros dois homens a agrediam violentamente em uma cama. Os quatro homens diziam "palavras degradantes" durante o ataque. "Eu estava me perguntando por que eles me odiavam", recordou.
Defesa questiona relatos das testemunhas
Advogados dos irmãos Alexander afirmam que qualquer relação sexual foi consensual e não configura tráfico. Durante os interrogatórios, a defesa repetidamente destacou que nenhuma das mulheres chamou a polícia ou fez um teste toxicológico que pudesse comprovar alegações de que foram drogadas.
Um advogado de Tal Alexander, Milton Williams, questionou o depoimento de Bodjnoud de que ela permaneceu em silêncio por medo do poder e influência dos irmãos. "Você estava ciente de que, em 2009, Tal Alexander era um vendedor de fotocopiadoras de 21 anos?", perguntou Williams.
Na interrogação de Brooks, a defesa mostrou fotos dela comemorando seu aniversário de 17 anos com amigos da escola dias após o incidente, e questionou por que, dias depois, ela e uma amiga passaram a noite em outra casa nos Hamptons onde Tal Alexander também estava presente. "Eu estava com medo de causar problemas", respondeu Brooks sobre sua relutância em denunciar. "Eu estava com medo de me meter em encrenca."
Julgamento atinge marca de nove acusadoras
O julgamento federal está aproximadamente na metade, e nove acusadoras já depuseram. Em testemunhos por vezes emocionados, elas descreveram ter sido agredidas sexualmente por um ou mais dos irmãos em locais como um navio de cruzeiro, duas casas alugadas nos Hamptons e um resort de esqui em Aspen.
O incidente no jacuzzi se destaca como a única agressão alegada a ter ocorrido em público, com uma festa na piscina em andamento. Não está claro se a promotoria chamará a própria mulher envolvida nesse caso para depor ou se ela foi identificada.
Os irmãos enfrentam até prisão perpétua se condenados pela principal acusação de conspiração para tráfico sexual.