O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou nesta sexta-feira (16) impor tarifas comerciais a países que se opuserem à sua ambição de anexar a Groenlândia. A declaração foi feita durante um evento na Casa Branca, em Washington. Trump justifica o plano afirmando que o território ártico é vital para a segurança nacional americana.
"Eu posso impor tarifas a países que não concordarem com a anexação da Groenlândia, porque precisamos da Groenlândia para a segurança nacional. Então, eu posso fazer isso", declarou o presidente. A ameaça ocorre em meio a uma crescente tensão diplomática com nações europeias, que já enviaram tropas para a ilha em sinal de resistência.
Pressão e reação internacional
A pressão de Trump para controlar a Groenlândia, um território autônomo dinamarquês, provocou indignação entre aliados tradicionais. Alemanha, França, Reino Unido, Noruega, Holanda e Suécia enviaram tropas militares para a Groenlândia na quinta-feira (15), um dia antes da declaração do presidente americano. A medida é vista como uma tentativa de dissuadir ações unilaterais.
Representantes da Groenlândia e da Dinamarca estiveram na Casa Branca esta semana para discutir o assunto, mas as reuniões foram inconclusivas. Paralelamente, uma delegação de 11 congressistas dos Estados Unidos iniciou uma visita a Copenhague nesta sexta para demonstrar solidariedade aos governos dinamarquês e groenlandês.
Justificativa e desdém
Trump tem defendido publicamente a anexação desde o início de seu segundo mandato, alegando que a Groenlândia é crucial para a construção do "Domo de Ouro", um escudo antimísseis. Em publicações em sua rede social, o Truth Social, ele argumentou que a Otan deveria liderar o processo para "conquistar" a ilha, sob risco de a Rússia ou a China o fazerem.
Em tom de desdém, o presidente também zombou da capacidade defensiva do território. "E sabe qual a defesa da Groenlândia? Basicamente dois trenós puxados por cachorros", afirmou Trump, acrescentando que os EUA anexarão a região "de um jeito ou de outro", preferindo um acordo, mas não descartando outras vias.
Contexto e próximos passos
A ameaça de usar tarifas como ferramenta de coerção internacional não é nova na administração Trump. O presidente fez a declaração sobre a Groenlândia ao relatar o uso de medidas similares para forçar a cooperação de outros países em um plano para reduzir preços de medicamentos nos EUA.
O impasse coloca em risco laços transatlânticos de longa data e eleva a tensão em uma região ártica de crescente importância geopolítica e estratégica. Não há, até o momento, um cronograma ou roteiro claro para as próximas ações da Casa Branca sobre o tema.