O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou nesta quinta-feira (29) revogar a certificação de todas as aeronaves fabricadas no Canadá e impor uma tarifa de 50% sobre essas importações. A medida, anunciada por ele na rede social Truth Social, é uma retaliação à proibição da venda de jatos executivos Gulfstream, fabricados nos EUA, no mercado canadense.
Em sua publicação, Trump afirmou que suspenderia as certificações dos modelos Bombardier Global Express e de "todas as aeronaves fabricadas no Canadá". O republicano classificou a suspensão das certificações da Gulfstream pelo Canadá como “injusta, ilegal e persistente”.
Disputa comercial de longa data
A ameaça ocorre no contexto de uma disputa comercial prolongada entre os dois países, que se intensificou desde que Trump assumiu o cargo. O presidente norte-americano condicionou a reversão de suas ameaças à correção imediata da situação que impede a venda dos Gulfstream no Canadá.
“O Canadá está efetivamente proibindo a venda de produtos Gulfstream no Canadá por meio desse mesmo processo de certificação. Se, por qualquer motivo, essa situação não for corrigida imediatamente, cobrarei do Canadá uma tarifa de 50% sobre todas as aeronaves vendidas para os Estados Unidos da América”, disse Trump.
Contexto político e reações
O anúncio foi feito em um momento de tensões políticas. Momentos antes, o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, expressou a esperança de que Trump “respeitasse a soberania canadense”. A declaração foi uma reação a relatos de que separatistas da província de Alberta se reuniram com autoridades americanas.
Esta não é a primeira ameaça tarifária de Trump contra o Canadá, seu segundo maior parceiro comercial. Dias antes, ele havia alertado sobre a imposição de uma tarifa de 100% caso o país fechasse um acordo comercial com a China.
Legalidade das medidas em dúvida
De acordo com a imprensa internacional, não está claro se o presidente dos EUA tem autoridade legal para revogar unilateralmente a certificação de aeronaves estrangeiras. Até o momento, a Casa Branca não emitiu nenhuma ordem executiva formal sobre a aplicação de tarifas a aeronaves canadenses, e Trump não especificou o mecanismo legal para revogar as certificações em sua publicação.
A resposta oficial do governo canadense e os próximos passos nas negociações entre os dois países ainda são aguardados, enquanto analistas avaliam o potencial impacto dessa nova ameaça nas relações bilaterais e no setor aeroespacial.