O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (21) que estabeleceu junto à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) a estrutura de um futuro acordo envolvendo a Groenlândia e a região do Ártico. A declaração foi feita após reunião com o secretário-geral da aliança militar, Mark Rutte, em Washington.
Trump não detalhou os termos específicos do entendimento preliminar, mas indicou que as negociações envolvem questões estratégicas de segurança e presença no Ártico. Como parte do acordo, ele afirmou que não irá impor tarifas que estavam previstas para entrar em vigor em 1º de fevereiro contra países europeus.
Contexto das negociações e ameaças recentes
O anúncio ocorre três dias após Trump ameaçar, no último domingo (18), países europeus que estariam contrariando os interesses dos Estados Unidos na Groenlândia com a imposição de tarifas. A prática de usar tarifas como instrumento de pressão em disputas geopolíticas tem sido uma marca de sua administração.
“O vice-presidente JD Vance, o secretário de Estado Marco Rubio, o enviado especial Steve Witkoff e outros, conforme necessário, serão responsáveis pelas negociações — e se reportarão diretamente a mim”, afirmou Trump em publicação nas redes sociais.
Domo de Ouro e relevância do Ártico
O presidente também mencionou que há discussões adicionais em andamento sobre o chamado Domo de Ouro, estrutura militar planejada pelos EUA para interceptar mísseis lançados contra o território norte-americano. A região do Ártico tem ganhado crescente relevância geopolítica, sendo alvo de disputa entre potências globais tanto por razões militares quanto econômicas, devido a rotas comerciais e recursos naturais.
Mais cedo, Trump havia pedido negociações e garantido que "não usará a força" contra a Groenlândia, território autônomo dinamarquês que já foi alvo de interesse de compra por parte de seu governo em 2019.
Próximos passos e contexto futuro
As negociações formais serão conduzidas pela equipe designada por Trump e devem detalhar os termos de cooperação e presença no Ártico. O acordo preliminar sinaliza uma tentativa de alinhar os interesses de segurança dos EUA com a estrutura coletiva de defesa da Otan em uma região de importância estratégica crescente.
O desfecho das tratativas poderá redefinir o equilíbrio de poder no Polo Norte, onde Rússia, China, Canadá e países nórdicos também ampliam suas investidas.