Trump pede continuidade de protestos no Irã e anuncia tarifas contra parceiros comerciais
Presidente americano convoca iranianos a ocuparem instituições e impõe sobretaxa de 25% a países que negociem com Teerã.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu nesta terça-feira (12) que os protestos no Irã continuem e convocou manifestantes a "ocuparem suas instituições". Em publicação na rede social Truth Social, o republicano também anunciou o cancelamento de todos os diálogos com autoridades iranianas e a imposição de uma tarifa de 25% sobre transações com países que mantenham relações comerciais com o Irã.
As declarações ocorrem em meio à repressão de forças de segurança iranianas a manifestações que completam cerca de duas semanas. Grupos de direitos humanos estimam centenas de mortos e mais de 10 mil presos no país.
Convocatória e retaliação econômica
Em sua publicação, Trump foi direto: "Patriotas iranianos, CONTINUEM PROTESTANDO — OCUPEM SUAS INSTITUIÇÕES!!! Cancelei todas as reuniões com autoridades iranianas até que o assassinato sem sentido de manifestantes PARE. A AJUDA ESTÁ A CAMINHO". No dia anterior, ele já havia anunciado a medida tarifária, que teria "efeito imediato", embora não tenha detalhado a operacionalização ou os setores prioritários.
O líder supremo iraniano, Ali Khamenei, já havia acusado os Estados Unidos de incitar os protestos, classificando parte dos manifestantes como "vândalos". Até o momento, Teerã não se pronunciou oficialmente sobre a mensagem de Trump desta terça.
Impacto nas relações comerciais
A medida tarifária anunciada por Trump pode afetar diretamente o Brasil, um dos principais parceiros comerciais do Irã no Oriente Médio. Em 2024, as exportações brasileiras para o país ultrapassaram US$ 3 bilhões, segundo dados da plataforma Comex Stat. Em 2025, o valor ficou em US$ 2,9 bilhões, enquanto as importações somaram US$ 84,6 milhões.
Dos dez principais produtos exportados pelo Brasil ao Irã, nove são do setor agropecuário, com destaque para soja, milho, açúcar, animais vivos, carne bovina e café. O Itamaraty foi procurado para comentar as declarações, mas não respondeu até a publicação desta matéria.
Cenário de tensão e fragilidade
Os protestos no Irã começaram com reivindicações econômicas e se transformaram em atos contra o regime dos aiatolás. Vídeos divulgados no fim de semana mostram corpos enfileirados em frente a um necrotério em Teerã.
Autoridades iranianas afirmaram que o país está preparado para um eventual conflito armado com os Estados Unidos, mas disseram manter abertura para negociações diplomáticas. A crise ocorre em um momento de fragilidade para o Irã, após conflitos recentes na região e o restabelecimento de sanções da ONU relacionadas ao programa nuclear.
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