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A população de Israel vive um estado de expectativa constante, alternando entre aceleração e desaceleração, diante da perspectiva de um conflito armado de grande porte com o Irã, considerado inevitável no país. A sensação, segundo a jornalista Miriam Sanger, que vive em Israel desde 2012, é similar à do filme "Dia de Marmota", com dias que se repetem enquanto o desfecho nunca chega. A certeza local é de que haverá um novo confronto, no qual Israel é visto como alvo central do regime islâmico.

Os telejornais israelenses dedicam quase metade de sua programação ao tema há semanas, e o Exército colocou milhares de reservistas em prontidão na semana passada. A reação da população é perceptível: o trânsito está mais ameno, as cidades mais contidas e muitos evitam fazer planos que dependam do aeroporto, traumatizados por cancelamentos em massa recentes. A guerra é vista como certa, restando dúvidas sobre quando, como e quem dará o primeiro passo.

Fundamentalismo islâmico e a lógica do tempo

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Enquanto israelenses e americanos contam as horas, o regime iraniano opera sob outra lógica temporal. Para o fundamentalismo islâmico, a paciência é uma virtude central, e a pressa é um conceito estranho. As negociações infrutíferas, do ponto de vista de Teerã, não são um fracasso, mas parte da estratégia para ganhar tempo. O aiatolá aposta que um sucessor mais próximo da linha política de Barack Obama possa assumir a Casa Branca após Donald Trump, criando um ambiente mais favorável para avançar seu programa nuclear.

O Irã classifica Israel como o "Pequete Satã", destinado à destruição, e seu programa balístico representa uma ameaça direta ao país. Apesar disso, uma parcela da sociedade israelense ainda aposta em acordos que garantam um silêncio tenso, mesmo que temporário, para evitar reviver os traumas da "Guerra dos 12 Dias", quando Tel Aviv e alvos civis pagaram o preço da queda de mísseis iranianos.

As duas possibilidades no tabuleiro geopolítico

As possibilidades para o desfecho da crise, segundo a análise presente no país, se reduzem a duas. A primeira é que o presidente americano, Donald Trump, enxergue algo que Israel não vê. A segunda é que ele permaneça fiel demais à sua identidade de negociador, incapaz de aceitar que exista alguém que não possa ser convencido por meio de uma barganha. Em Israel, a hipótese de um ataque limitado por parte dos EUA é recebida com desconfiança, dado o entendimento de que o fundamentalismo islâmico não compreende a linguagem da persuasão.

Pessoalmente, a jornalista Miriam Sanger torce para que Israel seja o autor do primeiro ataque, por considerar preferível um cenário em que o Irã já tenha perdido a maior parte de seus lançadores de mísseis balísticos. O sentimento reflete a percepção generalizada de que o confronto é uma questão de "quando", e não de "se".

O sonho de um futuro sem a sombra iraniana

O artigo conclui com a reflexão sobre a promessa de um futuro sem a ameaça do Irã fundamentalista, que se faz presente de forma ostensiva desde a década de 1980. Seria um mundo onde os aiatolás não financiassem braços terroristas globais nem oprimissem sua própria população jovem. No entanto, mesmo esse cenário é visto como provisório, com a previsão de que, uma vez derrotado o Irã, a Turquia poderia tomar seu lugar como antagonista regional, mantendo viva a sensação de uma guerra bíblica entre forças do bem e do mal.