O ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump exigiu publicamente que a Netflix demita a ex-assessora de segurança nacional Susan Rice de seu conselho de administração. Em uma publicação na rede social Truth Social, Trump classificou Rice como "racista e obcecada por Trump" e afirmou que a plataforma de streaming deve removê-la "IMEDIATAMENTE, ou pagar as consequências".
A ameaça ocorre em um momento sensível para a Netflix, que está em negociações para adquirir a gigante do entretenimento Warner Bros. por um valor estimado em dezenas de bilhões de dólares. Qualquer grande fusão no setor de mídia nos EUA requer a aprovação da divisão antitruste do Departamento de Justiça.
Contexto das declarações de Rice
A reação de Trump foi provocada por comentários feitos por Susan Rice em um episódio do podcast "Stay Tuned with Preet Bharara", publicado na quinta-feira. Rice, que serviu nos governos de Barack Obama e Joe Biden, criticou corporações que, em sua visão, "se ajoelham perante Trump" para obter vantagens.
"Quando você vê empresas fazendo acordos com este governo, basicamente se ajoelhando para conseguir o que querem, elas devem pensar nas consequências", disse Rice. "Porque quando houver uma administração democrata, elas podem enfrentar retribuição."
Posicionamento da Netflix e andamento da negociação
Até o momento, a Netflix não se manifestou publicamente sobre a exigência de Trump. O co-CEO da empresa, Ted Sarandos, afirmou em uma aparição em podcast na semana passada que Trump não havia solicitado nenhuma concessão política relacionada à aquisição da Warner Bros.
Em dezembro, Trump havia comentado que a Netflix tinha uma "participação de mercado muito grande" e que sua potencial aquisição da Warner Bros. "poderia ser um problema". No entanto, no início deste mês, o ex-presidente disse que "não deveria estar envolvido" no processo e que deixaria a análise para o Departamento de Justiça.
Box Explicativo: A Paramount, apoiada pelo aliado de Trump e bilionário cofundador da Oracle, Larry Ellison, também está na disputa para comprar a Warner Bros., criando um cenário competitivo.
Reação oficial e neutralidade declarada
Um oficial da Casa Branca disse ao Business Insider na semana passada que Trump "tem ótimos relacionamentos com todas as partes nesta transação potencial e permanece neutro neste processo, sem preferência por nenhum dos licitantes".
A publicação do ativista de direita Laura Loomer, destacando os comentários de Rice, foi o estopim para a reação pública de Trump. Em sua resposta, ele questionou: "Quanto ela está sendo paga, e para quê???".
Próximos passos e implicações
A pressão pública de Trump coloca a Netflix em uma posição delicada, equilibrando uma grande operação corporativa com o cenário político polarizado dos Estados Unidos. A resposta da empresa e o desfecho da negociação com a Warner Bros. serão observados de perto como um termômetro da influência política sobre megafusões no setor de tecnologia e entretenimento.
Divulgação: Mathias Döpfner, CEO da empresa-mãe do Business Insider, é membro do conselho da Netflix.